Pais, professores e médicos ao lado do Governo: não adiem o regresso às aulas (mas os docentes têm duas exigências)

3 jan, 15:56
Crianças na escola
Crianças na escola

Secretário de Estado da Saúde garantiu que o aumento do número de casos covid não justifica o adiamento das aulas - o ensino presencial é "fundamental para a saúde mental das crianças", justifica. Professores, que apoiam a medida, dizem que é preciso cumprir duas exigências para travar eventuais surtos neste regresso às aulas

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Professores, especialistas e pais ouvidos pela CNN Portugal concordam que o regresso às escolas não deve ser adiado e apoiam a garantia, dada esta segunda-feira pelo secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales, de que as aulas presenciais vão ser retomadas no próximo dia 10, tal como previsto. Bernardo Gomes, médico de saúde pública, é categórico: "Não devemos adiar a abertura das escolas". E explica à CNN Portugal: "Com os indicadores disponíveis, temos de considerar a maior normalidade possível".

Ricardo Mexia, especialista de Saúde Pública, também já tinha explicado que, apesar do aumento de número de casos, "os indicadores de severidade, como o internamento e a mortalidade, estão estáveis" e podem dar "alguma tranquilidade". Portanto, para este especialista, é importante acompanhar os números durante esta semana para fazer uma avaliação final.

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Também Lacerda Sales fez essa ressalva: salientando que não há alterações de medidas previstas, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde referiu, no entanto, que posteriormente, e de acordo com a evolução epidemiológica, o Conselho de Ministros avaliará a situação. Ainda assim, sublinha que o ensino presencial "é uma medida fundamental para a saúde física, mental, social e psicológica das nossas crianças”.

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Jorge Ascenção, presidente da CONFAP - Confederação Nacional das Associações de Pais, está satisfeito com esta garantia do Governo: "É claro que estamos muito focados no combate à pandemia mas temos a certeza de que as autoridades ponderaram bem todos os fatores para tomarem esta decisão", diz o representante dos pais à CNN Portugal.

"Nós tínhamos pedido que o processo de vacinação decorresse durante a pausa letiva, como aconteceu com os mais velhos no verão e está a acontecer agora com os mais novos, pois tínhamos esperança de que assim o primeiro e o segundo período pudessem decorrer com a maior normalidade", explica Jorge Ascenção.

Defendendo que a escola é muito mais do que dar matéria, o presidente da Confaf relembra como o ensino presencial "é importante para a saúde mental, a saúde social e também a saúde física das crianças e adolescentes". 

O mesmo argumento é usado por Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas: "Na senda daquilo que tem sido a opinião generalizada de médicos especialistas, vemos com bons olhos a reabertura das escolas na data prevista. Nós defendemos que o regime presencial é o melhor e só admitimos o regime online em casos limite, se estiver em causa a saúde pública. Acreditamos que esta é a melhor opção para os alunos, para os professores e também para os pais, sobretudo tendo em conta a socialização e o bem-estar e emocional e psicológico das crianças e dos jovens", diz, em declarações à CNN Portugal.

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As exigências dos professores

João Dias da Silva, secretário-geral da FNE - Federação Nacional de Educação, também considera "fundamental que o ensino presencial seja retomado". "Havendo condições de saúde e segurança, essa é sempre a melhor opção", diz à CNN Portugal, sublinhando que "a decisão final cabe, obviamente, às autoridades de saúde".

No entanto, esta estrutura sindical defende que, para que o ensino presencial aconteça em segurança, "são necessárias duas medidas complementares": Antes de mais, garantir "a vacinação com a dose de reforço de todos os elementos da comunidade escolar". "Muitos dos professores e auxiliares já estão a ser chamados", diz João Dias da Silva, lembrando que mais de metade dos professores tem 50 anos ou mais. "No entanto seria importante haver uma chamada para os docentes e não docentes serem vacinados o mais rapidamente possível." Segunda condição: "garantir mecanismos de testagem sistemática nas escolas" para controlar e evitar possíveis surtos.

Essas são, aliás, as mesmas medidas defendidas pela Fenprof - Federação Nacional dos Professores, que já tinha afirmando que as escolas devem reabrir no dia 10, como previsto. Para a Fenprof, voltar a adiar a reabertura das escolas “seria o reconhecimento do fracasso das decisões e medidas do Governo relativamente às escolas”.

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Para evitar que tal aconteça, a Fenprof, tal como a FNE, defende a testagem generalizada e regular nas escolas e a integração dos trabalhadores das escolas no grupo prioritário de vacinação contra a covid-19. Os professores, “em nome da segurança que lhes é devida, assim como às suas famílias, e no sentido de garantir que o ensino se manterá presencial, exigem ser chamados à vacinação, (...) tendo em conta, até, que as pessoas mais idosas e/ou com comorbidades já foram vacinadas”, defende a Fenprof em comunicado. A Fenprof critica ainda a “falta de uma estratégia clara para a vacinação generalizada dos jovens e crianças”, que tem levado a uma “fraca taxa de vacinação das crianças”.

Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, já afirmou que "neste momento não está em causa o encerramento das escolas". Lembrando que "essa decisão será sempre muitíssimo bem ponderada e da competência do Conselho de Ministros", afirmou que a DGS vai "fazer o acompanhamento da situação epidemiológica e obviamente fazer tudo para minimizar os efeitos da doenças nas crianças." "Todos queremos que as nossas crianças e jovens regressem ao seu ambiente escolar."

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