Qual o impacto da vacinação nas crianças? Menos 13.500 infeções, 51 internamentos e cinco crianças em cuidados intensivos, garantem os peritos

7 dez 2021, 22:00
Vacinação de crianças em Israel. Foto: AP
Vacinação de crianças em Israel. Foto: AP

Parecer técnico indica benefícios de vacinar crianças dos 5 aos 11 anos. E admite-se a ocorrência de 7 casos de miocardite. Um cenário pessimista uma vez que o estudo foi feito com base nas doses dos adultos, explica Carmo Gomes

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No parecer que sustenta a decisão de avançar com a vacinação das crianças, os peritos que integram a comissão técnica da Direção-Geral da Saúde, fizeram uma avaliação dos benefícios e riscos da decisão. E, tendo em base a estimativa da taxa de incidência de covid-19 nesta faixa etária durante os próximos quatro meses, concluíram que podem ser evitados 13.500 infeções, 51 internamentos e cinco casos graves que obrigariam as crianças a ir parar aos cuidados intensivos, adiantou à CNN Portugal Manuel Carmo Gomes, epidemiologista e membro daquela comissão que deu parecer positivo sobre a vacinação.

As estimativas dos especialistas indicam que sem as vacinas vão ser registadas 21.189 infeções entre as crianças dos 5 aos 11 anos. Se a vacinação avançar, só 7.681 desses casos previstos se manterão.  

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Segundo o especialista, foram ainda analisados outros benefícios como o impacto nas situações de miocardites (inflamação do músculo do coração) e nos episódios de síndrome inflamatória multissistémica (uma inflamação rara de todo o corpo causada pela covid-19 em crianças). Em relação à primeira, os peritos consideram que a vacinação pode evitar sete casos. Já no que se refere à outra situação, quatro crianças serão poupadas a desenvolver aquela síndrome.

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Para além dos benefícios foram analisados os riscos, nomeadamente os efeitos graves que a vacinação pediátrica pode ter, esclareceu Carmo Gomes. E estimou-se que  devido à vacinação podem ocorrer entre sete a 12 situações de miocardites entre as crianças. Mas neste caso, a realidade pode ser menos grave, esclarece o perito: “Esta é uma previsão pessimista pois assumimos os dados com base na vacina dos adultos que têm doses superiores às que vão ser dadas às crianças”.

As crianças vão receber a vacina da Pfizer mas em doses um terço inferiores às que foram destinadas ao resto da população.

Estes dados constam no parecer da comissão técnica e são aqueles que podem ser contabilizados. Há, no entanto, outros elementos que também contribuíram para a avaliação dos peritos mas que não podem ser traduzidos em valores concretos, como o impacto na saúde mental.

Este não é o único cenário previsto pelos peritos. Carmo Gomes explicou à CNN Portugal que este é apenas o cenário médio e mais previsível. Há descritos mais dois cenários: um pessimista e um otimista, que dependem da evolução da pandemia nas crianças nos próximos 4 meses. Assim, no mais pessimista, em que a taxa de incidência crescia de forma acelerada, o número de infeções evitadas chegaria às 27 mil. Já no mais otimista, em que se prevê uma diminuição de casos, as infeções poupadas limitavam-se a 4 mil.

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Segundo dados avançados por Carlos Antunes, investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, na próxima semana, uma em cada 100 crianças estará infetada com covid-19. E as estimativas indicam que os casos entre os mais novos vão continuar a aumentar sem previsão de pico.

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