Melhor ou pior: taxa de positividade ligeiramente abaixo do período homólogo de 2021, internamentos muitíssimo abaixo

25 jan, 18:08
Melhor ou Pior: dados de 25 de janeiro de 2022

Por cada 100 testes há 17,5 que são positivos. Isso explica-se pela quinta vaga, mas também pela elevada capacidade de testagem, que voltou a passar os 300 mil testes efetuados num só dia. Mortalidade e os números de internamentos e de pessoas em unidades de cuidados intensivos provam a eficácia da vacina

Portugal voltou a ultrapassar a barreira dos 50 mil casos diários, a quinta vez nos últimos sete dias. Com mais 57.657 casos de covid-19 e 48 mortes, o país voltou aos números verificados a meio da semana. Analisamos tudo em Melhor ou Pior.

O que não depende de fins de semana são os óbitos. Ora, na última semana (de 18 a 24 de janeiro) verificou-se uma média de 40 óbitos diários, média que sobe relativamente à semana anterior, mas que está bem abaixo do verificado em 2021. Em tendência de subida continua a positividade, que já se encontra nos 17,5%, número ainda assim menor relativamente há um ano, em que, em cada 100 testes, 19,5 eram positivos. Efeito também da elevada testagem: no dia que analisamos foram realizados 312.880 testes, o que dá uma média semanal 359% superior há verificada em 2021.

Assim, as consequências são muito menos severas do que eram há um ano. É o que comprova até este momento a comparação entre a quinta vaga (a atual) e a terceira (de há um ano).

Comparando os últimos sete dias com a mesma semana de há um ano, verifica-se que o número de infetados é agora de quatro vezes o número do ano passado, o que confirma que a pandemia está mais alastrada. Contudo, o número de óbitos é menor em 83%, ou seja, um sexto do que se verificava há um ano.

Se esta menor perigosidade está patente nos valores absolutos, está-o ainda mais em termos relativos: houve na última semana uma proporção entre óbitos e infetados de 0,08%, quando há um ano a mesma proporção era de 1,95%.

Também nos internamentos se confirma a menor severidade desta quinta vaga face à terceira, o que os especialistas atribuem sobretudo à taxa de vacinação que agora se verifica. A média de 2.132 infetados nos hospitais em cada dia na última semana é quase um terço da média de 5.807 de há um ano. Nas unidades de cuidados intensivos, a diferença é ainda maior: a média de 159 internados em UCI ao final de cada dia é menos 78% do que a de há um ano.

Pandemia menos grave

A CNN Portugal está a publicar há várias semanas esta análise sobre dados semanais para aprofundar a comparabilidade, evitando por exemplo comparar um dia de semana deste ano com um dia de fim de semana do ano passado.

Fá-lo para medir não apenas valores absolutos mas também para poder aferir sobre a gravidade comparada com o passado.

Como vários especialistas têm apontado, a variante Ómicron, agora dominante, tem uma transmissibilidade muito elevada mas o seu impacto é menor do ponto de vista do desenvolvimento de doença grave e da mortalidade, até porque este ano há uma larga cobertura vacinal em Portugal.

Estes indicadores mostram que a pandemia está mais alastrada mas é menos grave neste janeiro de 2022 do que era um ano antes.

Notas: a proporção entre número de infetados e número de testes realizado não é a taxa oficial de positividade, pois muitos dos casos confirmados podem referir-se a análises em atraso (é, ainda assim, uma aproximação a essa taxa).

Da mesma forma, a relação entre internados e infetados é uma indicação, ressalvando-se que muitos podem tornar-se internados apenas algum tempo depois da infeção.

Recorde-se ainda que os números de internados e em UCI são as médias em cada dia (não os novos internados ou os novos em UCI), seguindo-se a metodologia utilizada todos os dias pela DGS, que tem como utilidade medir a ocupação e a disponibilidade dos hospitais. Quando por exemplo se vê uma proporção de 4,2% entre internados e infetados, isso não significa rigorosamente que 4,2% dos infetados sejam internados, mas sim que face ao número de infetados comunicados nessa semana havia uma média de 4,2% de número de internados. São esses os critérios comunicados diariamente pela DGS.

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