Dois ou três conselhos para usar a máscara certa da maneira certa contra a Ómicron

CNN , Kristen Rogers
14 jan, 18:40
Máscara N95. Foto: AP

Enquanto a altamente contagiosa variante do coronavírus, a Ómicron, se continua a espalhar, alguns especialistas dizem que está mais do que na hora de reconsiderar as opções da máscara facial, especialmente se ainda estiver a usar a variedade de tecido

“As máscaras de tecido pouco mais são do que decorações faciais. Não há lugar para elas à luz da Ómicron", disse a analista médica da CNN, Leana Wen, médica das urgências e professora convidada de política e gestão de saúde da Escola de Saúde Pública do Instituto Milken da Universidade George Washington.

“É isto que os cientistas e as autoridades de saúde pública andam a dizer há meses, muitos meses, na verdade”, acrescentou Wen numa outra entrevista telefónica.

“Precisamos de usar, no mínimo, uma máscara cirúrgica de três camadas”, disse ela, a também conhecida como máscara descartável, que pode ser encontrada na maioria das farmácias e em alguns supermercados e lojas. “Podemos usar uma máscara de tecido por cima dessa, mas não devemos usar apenas a máscara de tecido.”

Idealmente, em lugares com muita gente, “devemos usar uma máscara KN95 ou N95”, acrescentou Wen. Por terem um melhor ajuste e certos materiais - como fibras de polipropileno – que atuam como barreiras mecânicas e eletrostáticas, essas máscaras evitam que as partículas minúsculas entrem no nosso nariz ou boca, e devem ser ajustadas ao rosto para funcionarem corretamente.

Alterando as diretrizes

Durante os primeiros meses da pandemia, os especialistas de saúde desencorajaram o público em geral a comprar máscaras N95, pois os profissionais médicos enfrentavam uma escassez de equipamentos de proteção individual. Mas “já se passaram muitos meses desde que o fornecimento de N95 era um problema”, disse Wen.

No entanto, as diretrizes mais recentes do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos sobre a seleção, uso adequado, limpeza e armazenamento de máscaras faciais recomendam que as pessoas evitem as máscaras N95 e, em vez disso, optem por máscaras com duas ou mais camadas de tecido lavável e respirável - que Wen apelidou de “um enorme erro.”

“Se chegamos ao ponto de dizer que as máscaras são obrigatórias - quando não temos uma cultura de uso de máscaras e as pessoas não gostam de as usar – devemos ao menos recomendar que usem as máscaras mais eficazes”, disse Wen.

Outros países, incluindo a Alemanha e a Áustria, “mudaram a orientação dizendo que a máscara usada em público deve ser, pelo menos, uma máscara cirúrgica de uso médico” em certos ambientes, acrescentou ela.

A CNN entrou em contacto com o CCD sobre as recomendações acerca das N95 e as máscaras de tecido, e ainda aguarda comentários.

Outro fator que impulsiona a mudança nas recomendações de máscara é uma melhor compreensão da covid-19 e de como ela se propaga, disse Erin Bromage, professor-adjunto de Biologia da Universidade de Massachusetts Dartmouth. “As pessoas têm demorado mais a perceber a natureza da infeção transmitida pelo ar, que isto não é necessariamente uma infeção híbrida, como a gripe, que pode ser transmitida por gotículas, inalada um pouco, estar nas superfícies e infetar dessa forma,” diz ele. “Parece que... o principal fator de infeção (do coronavírus) é o ar partilhado.”

As máscaras de tecido - incentivadas no início da pandemia - conseguem filtrar as gotas grandes, enquanto que as máscaras mais eficazes, como as N95, conseguem filtrar as gotas grandes e também os mais pequenos aerossóis ou partículas potencialmente carregadas com vírus transportados pelo ar, se estiverem pessoas infetadas presentes, disse Bromage. Além disso, uma máscara facial de tecido tem 75% de vazamento para dentro e para fora, algo que a Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais define como a "percentagem de partículas que entram na máscara" e a "percentagem de partículas exaladas por uma fonte que sai da máscara", respetivamente.  

AP Photo/Rogelio V. Solis

As máscaras N95 devidamente ajustadas e aprovadas pelo Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos EUA podem filtrar até 95% das partículas do ar, segundo o CCD. As máscaras cirúrgicas ou descartáveis ​​são cerca de 5% a 10% menos eficazes do que as máscaras N95, disse Bromage, variando consoante a sua classificação no ASTM International, com os tipos 1, 2 e 3 a classificar as máscaras cirúrgicas da menos à mais eficaz.

Porque é que a variante Ómicron teve tanto sucesso ao infetar muitas pessoas é “algo desconhecido no momento”, mas apenas destaca o papel que as máscaras de qualidade podem desempenhar, disse Bromage.

“Quer seja necessária menos quantidade do vírus ou quer seja uma pessoa infetada libertar mais vírus, o papel de uma máscara nisto é: se pudermos reduzir a quantidade de inspirações, teremos mais tempo”, acrescentou. ”Se precisávamos de 1000 partículas virais para ficarmos infetados e usamos algo que reduz isso em 50%, agora vai demorar o dobro do tempo para chegar às 1000. Se usarmos uma máscara que é 90% eficaz, vai demorar pelo menos 10 vezes mais tempo antes de sermos infetados quando estivermos perto de alguém (que esteja infetado)."

“Temos de promover máscaras melhores e de mais alta qualidade em todos os lugares, porque agora uma máscara de tecido de camada única não funciona contra a Ómicron", disse o antigo Diretor-Geral da Saúde dos Estados Unidos, Jerome Adams. “Precisamos de mais testes. Precisamos de máscaras melhores. É assim que vamos ultrapassar isto.” 

Trocar as máscaras de tecido

O Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional tem uma lista de máscaras N95 aprovadas, que podem ser encontradas em algumas lojas de artigos para a casa, noutras lojas e farmácias. Essas máscaras devem ter o formato de taça, uma dobra plana ou um bico de pato; dois elásticos que dão a volta à cabeça; uma ponte nasal de arame ajustável; e marcações apropriadas indicando a aprovação NIOSH, diz o CCD.  

A agência também tem recursos para determinar se uma máscara N95 é falsificada e também para colocá-la bem, retirá-la e realizar uma verificação do nível de selagem. 

A diferença entre as máscaras N95 e KN95 é o local onde a máscara é certificada, segundo o Departamento de Saúde do Estado do Oklahoma. Os EUA certificam as N95, enquanto que a China aprova as KN95. Cerca de 60% das máscaras KN95 nos EUA são falsificadas e não cumprem os requisitos do NIOSH, diz o CCD. O CCD tem uma lista de sinais que mostram que uma máscara KN95 não foi aprovada pelo NIOSH.    

“Se forem feitas de acordo com o padrão e certificadas pelos organismos apropriados nos seus países, como o NIOSH aqui, todas elas fazem basicamente a mesma coisa”, disse Bromage. “Mas há uma tonelada de falsificações que não são certificadas, no que toca às KN95, e que até podem cumprir os padrões, mas não são certificadas para cumpri-los. E há outras que claramente não o fazem”.

A recomendação destes especialistas de usarmos máscaras melhores não é uma sugestão para deitarmos fora as máscaras de tecido ou andarmos sem máscara quando não tivermos uma máscara de uso médico disponível.

Em estudos realizados a várias máscaras, as máscaras de tecido com várias camadas e maior número de fios “demonstraram um desempenho superior em comparação com as máscaras de camadas únicas de tecido e com menor número de fios”, mas ainda assim, são menos eficazes do que as máscaras de uso médico, segundo o CCD. Usar uma máscara de tecido em cima de uma máscara de uso médico, como sugeriu Wen, pode proteger-nos melhor, a nós e às outras pessoas, melhorando o ajuste e, assim, a capacidade de filtragem, diz o CDC. 

“Se a única coisa que temos é uma máscara de tecido, continua a ser melhor do que nada”, disse Wen. “Mas não estamos bem protegidos e devemos saber isso mesmo. Portanto, se vamos a um espaço fechado com muita gente e só tivermos uma máscara de tecido, não devemos ir.”

Se não pudermos comprar máscaras de uso médico, por qualquer motivo, devemos ir a locais que exigem máscaras e as fornecem gratuitamente - como algumas estações de comboio, mercearias ou lojas - e devemos pedir uma máscara cirúrgica, sugeriu Wen.

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