OMS contra uso de dois medicamentos para tratar doentes com covid-19

Agência Lusa , FMC
14 jul, 00:32
Covid-19 (Getty Images)

A organização refere que o antidepressivo fluvoxamina e o colchicine podem implicar "potenciais danos" no corpo

Os medicamentos fluvoxamina e colchicine não são recomendados para doentes com covid-19 leve ou moderada, alertou a Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta falta de dados sobre os benefícios dos fármacos nessas situações.

O alerta de um grupo internacional de peritos da OMS foi publicado esta quarta-feira no British Medical Journal (BMJ), recordando que também não foi feita qualquer recomendação para estes medicamentos específicos para tratar casos de covid-19 grave ou crítica.

De acordo com o Grupo de Desenvolvimento de Orientações da organização, o antidepressivo fluvoxamina e o colchicine, utilizado para tratamento da gota, podem implicar “potenciais danos”, apesar de terem recebido “um interesse considerável como potenciais tratamentos para a covid-19 durante a pandemia”.

“As recomendações de hoje (esta quarta-feira) contra a sua utilização refletem a incerteza sobre a forma como os fármacos produzem um efeito no corpo", assim como provas de "pouco ou nenhum efeito” sobre a redução do risco de hospitalização e da necessidade de ventilação mecânica, referiu a OMS em comunicado.

A recomendação da OMS contra o uso de fluvoxamina, exceto em ensaios clínicos, baseia-se em dados de três ensaios envolvendo mais de 2.000 doentes, e o conselho contra a utilização da colchicine resulta de sete ensaios envolvendo 16.484 pessoas.

O painel, que inclui especialistas de todo o mundo, observou ainda que nenhum dos estudos incluiu crianças, no entanto, consideram não existir razão para crer que os doentes de covid-19 desta faixa etária responderiam de forma diferente ao tratamento com fluvoxamina ou colchicine.

As recomendações esta quarta-feira publicadas fazem parte de uma orientação desenvolvida pela OMS com o apoio metodológico da Magic Evidence Ecosystem Foundation, para fornecer orientações sobre a gestão da covid-19 e ajudar os médicos a tomar melhores decisões sobre o tratamento da doença provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2.

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