Covid. Este é um guia para minimizar o risco de apanhar ou passar o vírus durante os Santos e os festivais de música

CNN Portugal , DCT
10 jun, 16:00
São assim os Santos Populares em Alfama: música, sardinha assada, bifanas e convívio. A festa faz-se nos vários arraiais de Lisboa enquanto se espera pela noite de Santo António.

É fim de semana de Santos em Lisboa, o São João do Porto vem a seguir e este fim de semana regressa um dos maiores festivais de música do país - o Primavera Sound do Porto. Leia este guia - em nome da sua segurança mas também em nome da dos outros. Porque "o vírus está cá e a circular brutalmente"

Grandes ajuntamentos, poucas ou nenhumas máscaras e uma variante que é mais transmissível do que as suas antecessoras. O cocktail para o aumento do número de casos de covid-19 e para o atraso do fim da sexta vaga está pronto: as festas populares de Santo António e de São João podem fazer escalar o número de novos infetados com covid-19, estimando-se que, somente na véspera dos dois feriados, possa haver 60 mil contágios em Lisboa e 45 mil no Porto.

A diretora-geral da Saúde seguiu os passos da ministra Marta Temido e apelou à autorresponsabilização. Graça Freitas admite a elevada circulação do vírus na comunidade e os riscos que isso implica, mas deixou a responsabilidade ao cargo de cada um.

Pergunta: é possível que mesmo que esteja a tomar todas as medidas de precaução possa infetar os outros? Sim. E não apenas se estiver assintomático ou ainda a testar negativo nos testes antigénio. 

À CNN Portugal - e com alguns conselhos para evitar ser contagiado com a BA.5 - o médico Jorge Torgal diz que a utilização de máscara, uma das medidas de prevenção mais apeladas pelo governo, é sempre um fator a ter em conta porque “é de facto útil”, mas a verdade é que tem algumas limitações… e que podem levar ao contágio. 

“Conheço pessoas que utilizam sempre máscara e que mesmo assim se infetaram”, explica, lembrando que o vírus está já muito disseminado, aumentando o risco de contagiar os outros também.

O que fazer na incerteza de infeção (ou simplesmente para se proteger a si e aos outros)?

Em primeiro lugar, não ignorar qualquer tipo de sintoma - na presença de tosse, febre, mal estar corporal, dificuldade respiratória e ou perda do olfato e paladar, ligar para a linha SNS24 (808 24 24 24). 

Na ausência de sintomas, perante um contacto de risco ou simplesmente por precaução e consciência - a tal autorresponsabilização pedida pela Tutela -, nada como a velha máxima da pandemia: testar, testar e testar. Mesmo sendo sabido que os testes antigénio são mais propensos a falsos negativos, sobretudo quando a carga viral ainda é baixa, a testagem continua a ser um escudo-protetor - e há sempre a possibilidade de realizar um teste PCR por conta própria ou pedir uma requisição ao médico de família em caso de dúvida ou suspeita de contágio.

O uso de máscara é também uma opção e uma das recomendações da própria Direção-Geral da Saúde em casos de ajuntamento ou impossibilidade de manter o devido distanciamento, como é o caso das festas populares e dos concertos que se avizinham. Também os peritos apelam a que os portugueses evitem grandes aglomerados e usem máscara durante os Santos e até recomendam o tipo de máscara e a melhor forma de utilização.

Quem recuperou da infeção recentemente deve também seguir as regras atuais e usar máscara nos dez dias após o fim do isolamento: “Nos casos confirmados de covid-19 sempre que saiam do seu local de isolamento até ao 10.º dia após a data do início de sintomas ou do teste positivo” e “nos contactos com casos confirmados de covid-19 durante 14 dias após a data da última exposição”, esclarece a DGS no seu site.

“O risco só diminui com o tempo e pensa-se que 15% das pessoas mantêm o risco de contágio a cinco dias, 10% ao sétimo dia, 5% ao décimo dia e 1% ao décimo quarto dia”, explicou o pneumologista Filipe Froes em declarações à CNN Portugal.

Quantas pessoas uma pessoa contagiada por infetar?

É aqui que entra o índice de transmissibilidade R(t), que a nível nacional está nos 0,98.

Em Lisboa e Vale do Tejo, segundo o mais recente relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), o R(t) é de 1,04 e na região norte de 0,96. E o que é que isto quer dizer? Que uma pessoa infetada pode infetar outra. 

Segundo Miguel Castanho, que conversou com a CNN Portugal sobre imunidade, tendo em conta as características da Ómicron e a sua rapidez de transmissão e contágio, o mais provável é que, num contacto de proximidade, a pessoa fique também infetada ou reinfetada

“Na dúvida, devemos ser sempre prudentes. Se tenho dúvidas de que posso estar infetado, não vou sujeitar uma pessoa vulnerável a esse risco”, reforçou o pneumologista Filipe Froes a propósito da importância de proteger os mais idosos, para quem o vírus continua a ser muitas vezes fatal. “O vírus está cá, a circular brutalmente. E isso é o que conhecemos porque a testagem é muito inferior ao passado”, alertou Manuel Carmo Gomes.

 

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