Covid-19: nova sublinhagem da Ómicron deve passar a ser a dominante em Portugal

Agência Lusa , CE
28 out, 20:02
Teste de deteção do SARS-CoV-2

Em 21 de outubro, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças alertou para a possibilidade de a BQ.1 e a sua sublinhagem BQ.1.1 se tornarem dominantes na União Europeia e Espaço Económico Europeu entre meados de novembro e o início de dezembro de 2022

A frequência da sublinhagem BQ.1 da variante Ómicron do vírus que causa a covid-19 está a aumentar desde o início do mês e deverá passar a ser a dominante em Portugal, estimou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Saúde.

“Estima-se que a frequência do grupo de sublinhagens que constituem a BQ.1 seja cerca de 20%, embora uma das principais sublinhagens (BQ.1.1), que apresenta uma mutação associada à fuga ao sistema imunitário, apresente uma frequência de cerca de 6%”, adiantou o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) à agência Lusa.

Em 21 de outubro, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) alertou para a possibilidade de a BQ.1 e a sua sublinhagem BQ.1.1 se tornarem dominantes na UE/EEE (União Europeia e Espaço Económico Europeu) entre meados de novembro e o início de dezembro de 2022.

Caso se confirme essa previsão, poderá verificar-se na Europa um aumento do número de casos de covid-19 nas próximas semanas, de acordo com a atualização epidemiológica divulgada pelo centro europeu.

Os primeiros casos da BQ.1 foram detetados no início deste mês em Portugal e, nas últimas semanas, a sublinhagem tem registado uma tendência crescente, avançou o INSA, ao adiantar que “tudo indica que poderá tornar-se dominante” no país.

“No entanto, dado envolver várias sublinhagens ainda em processo de classificação e cuja transmissibilidade e associação à fuga ao sistema imunitário estão ainda em avaliação, é difícil antever quando alguma possa tornar-se dominante”, salientou. 

De acordo com o INSA, nesta fase, apenas se pode “especular que um potencial aumento nas hospitalizações se deva a um incremento no número de infeções, dada a maior transmissibilidade da BQ.1”, uma vez que se desconhece se está mais associada a doença grave do que outras linhagens da variante Ómicron.

Segundo o ECDC, estudos laboratoriais preliminares na Ásia indicam que a BQ.1 tem a capacidade de escapar à resposta do sistema imunológico, mas, de acordo com os dados disponíveis, “não há evidência de que possa estar associada ao aumento da gravidade da infeção em comparação com as variantes BA.4 e BA.5 da Ómicron”.

Segundo avançou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS), a BQ.1 já foi detetada em 65 países e está a demonstrar uma vantagem significativa de crescimento sobre outras sublinhagens da variante Ómicron nos Estados Unidos e na Europa.

“Neste momento, não existem dados epidemiológicos que sugiram um aumento da gravidade da doença”, sublinhou a OMS.

Desde abril de 2020 o INSA tem estudado a diversidade genética do SARS-CoV-2, com o objetivo de determinar os perfis de mutação do vírus para identificar e monitorizar as cadeias de transmissão.

Já foram analisadas mais de 43 mil sequências do genoma do coronavírus, obtidas de amostras colhidas em mais de 100 laboratórios, hospitais e instituições, representando 307 concelhos de Portugal.

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