Ómicron com risco reduzido de doença grave, mas com 10 vezes mais reinfeções

CNN , Jacqueline Howard
25 dez 2021, 13:00
Ómicron no Reino Unido. Foto: Tolga Akmen/AFP/Getty Images
Ómicron no Reino Unido. Foto: Tolga Akmen/AFP/Getty Images

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Dois novos artigos preliminares vêm aumentar as crescentes evidências de que a variante Ómicron do coronavírus evolui menos provavelmente para doença grave e para a hospitalização quando comparada com a variante Delta.

A Ómicron está associada a dois terços de redução no risco de hospitalização por covid-19 quando comparada com a variante Delta, sugere um artigo divulgado online na quarta-feira como artigo preliminar e da autoria de investigadores da Universidade de Edimburgo no Reino Unido. Essa investigação tem por base a Escócia.

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O outro artigo publicado na terça-feira pelo servidor online medrxiv.org sugere que as pessoas com infeção por Ómicron tiveram 80% menos probabilidades de serem internadas num hospital quando comparadas com a infeção pela Delta. Mas nos casos em que um doente foi hospitalizado, não se revelaram diferenças no risco de doença grave, segundo essa investigação, que teve por base a África do Sul.

Ambos os estudos incluem dados preliminares e ainda não foram publicados numa revista científica.

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O estudo da Escócia incluiu dados de 23 840 casos de Ómicron e 126 511 casos de Delta, desde 1 de novembro a 19 de dezembro. Os investigadores, da Universidade de Edimburgo, da Universidade de Strathclyde e do serviço de Saúde Pública da Escócia, observaram de perto os resultados entre as infeções por Ómicron comparadas com as infeções pela Delta. Houve 15 hospitalizações entre os infetados com a Ómicron e 856 entre os infetados com a Delta.

"Apesar de um número reduzido, o estudo é uma boa notícia. Os dois terços de redução de hospitalizações de jovens com duas doses de vacina quando comparados com a Delta indicam que a Ómicron será mais leve para mais pessoas," declarou James Naismith, diretor do Instituto Rosalind Franklin e Professor de biologia estrutural na Universidade de Oxford, que não esteve envolvido em nenhum dos estudos, numa declaração escrita e distribuída pelo Science Media Centre, sediado no Reino Unido na quarta-feira.

"O estudo é rigoroso, mas é cedo (e portanto, pode sofrer alterações com mais dados e mais estudos apresentados nas próximas semanas). Deve notar-se que alguns cientistas sul-africanos têm dito que a Ómicron foi mais leve durante algum tempo", declarou Naismith. "Apesar da redução de dois terços ser significativa, a Ómicron pode provocar doença grave nas pessoas com duas doses de vacina. Assim, se a Ómicron continuar a duplicar de poucos em poucos dias, pode provocar muitas mais hospitalizações do que a Delta entre a população com vacinação dupla.

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Os investigadores descobriram que a proporção de casos de Ómicron que eram provavelmente reinfeções em pessoas que já tiveram covid-19 era de mais de 10 vezes do que da Delta. Os dados também revelaram que ter recebido uma terceira dose da vacina ou reforço estava associado a uma redução de 57% no risco de infeção sintomática com Ómicron quando comparada com a tomada da segunda dose há 25 semanas.

"Estes dados nacionais iniciais sugerem que a Ómicron está associada a uma redução de dois terços do risco de hospitalização devido a covid-19 quando comparada com a Delta. Apesar de oferecer mais elevada proteção contra a Delta, a terceira dose/reforço de vacina oferece substancial proteção adicional contra o risco de covid-19 sintomática na variante Ómicron", escreveram os investigadores no artigo.

O outro artigo envolvia dados de 161 328 casos de covid-19 reportados a nível nacional na África do Sul entre 1 de outubro e 6 de dezembro. Os investigadores, do Instituto Nacional de Doenças Contagiosas, da Universidade de Witwatersrand e da Universidade da Cidade do Cabo descobriram que entre as pessoas com infeção por Ómicron, 2,5% foram internados em hospital durante esse período comparado com 12,8% de pessoas com infeção pela Delta.

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Os investigadores escreveram no seu artigo: "Trata-se de dados iniciais que podem alterar-se à medida que a epidemia evolui."

Boas notícias, mas esperar para saber mais

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infeciosas dos EUA, apresentou estes dados mais recentes da África do Sul e da Escócia numa reunião da Casa Branca na passada quarta-feira, acrescentando que é necessária mais investigação para determinar se se verificam resultados semelhantes nos Estados Unidos.

"Na verdade, parece que no contexto da África do Sul há uma diminuição da gravidade em comparação com a Delta, tanto na relação quanto no rácio entre hospitalizações e número de infeções, na duração do internamento hospitalar e na necessidade terapia suplementar de oxigénio", disse Fauci na quarta-feira.

"Recentemente, outro artigo com origem na Escócia parece validar e verificar os dados que existem na África do Sul", declarou Fauci. "É uma boa notícia, no entanto, temos de esperar para ver o que acontece no seio da nossa população, que tem características demográficas próprias."

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Outros dados preliminares do Reino Unido demonstram uma “moderada” redução do risco de hospitalização com a variante Ómicron em Inglaterra em comparação com infeções com a Delta, segundo um relatório publicado pela Equipa Resposta à Covid-19 do Imperial College na quarta-feira.

O estudo, baseado em dados de todos casos confirmados por testes PCR de SARS-CoV-2 em Inglaterra entre 1 e 14 de dezembro, foi levado a cabo pelo organismo da OMS Collaborating Centre for Infectious Disease Modelling, pelo MRC Centre for Global Infectious Disease Analysis, pelo Instituto Jameel, e pelo Imperial College de Londres. 

O estudo estima que o risco de ser hospitalizado um dia ou mais tempo devido à variante Ómicron deve ser 40% a 45% mais baixo do que em relação à variante Delta.

"Encontramos evidência de uma redução no risco de hospitalização devido à Ómicron em comparação com as infeções com a Delta, na média de todos os casos no período relativo ao estudo", declara o relatório.

"Estas reduções podem ser equilibradas contra um maior risco de infeção por Ómicron, devido à redução na proteção fornecida tanto pela vacinação e pela infeção natural", avisa o relatório. "Ao nível da população, grande número de infeções pode ainda levar a grande número de hospitalizações."

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O estudo salienta que os indivíduos infetados com Ómicron depois de uma infeção anterior documentada são 50% a 60% menos propensos a serem hospitalizados, quando comparados com pessoas sem infeções anteriores documentadas.

O relatório também salienta que o risco de hospitalização "é semelhante para a Ómicron e para a Delta em pessoas que testaram positivo e que receberam pelo menos duas doses de vacina, refletindo uma redução da eficácia da vacina quanto à Ómicron quando comparada com a Delta."

"No entanto, o risco de hospitalização em pessoas vacinadas continua significativamente mais baixo do que em pessoas não vacinadas", acrescenta o relatório, que ainda não foi publicado em revistas científicas.

Globalmente, "este estudo descobre que a infeção anterior reduz o risco de hospitalização em cerca de dois terços, indicando que a Ómicron é mais leve se se tem alguma imunidade", declarou Naismith, que não esteve envolvido no relatório, noutra declaração distribuída pelo Science Media Centre na quarta-feira.

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"No entanto, o estudo sugere que não há redução na gravidade da Ómicron em comparação com a Delta para pessoas vacinadas com duas doses, indicando que não é mais leve", declarou Naismith. "Esta descoberta é surpreendente, mas fundamenta-se em dados. Não há relatório sobre os benefícios da terceira dose."

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