Idosos, imunossuprimidos e homens: mortalidade por covid-19 subiu e estas são as principais vítimas

16 mai, 15:36
Covid-19

Mais de 9 milhões de pessoas têm a vacinação primária completa e mais de 5,9 milhões receberam a dose de reforço. Mas a mortalidade tem aumentado. Quem são as pessoas que têm morrido com covid-19?

A mortalidade por covid-19 tem vindo a aumentar nas últimas semanas, continuando muito acima do limiar de referência de 20 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC). Os especialistas ouvidos pela CNN Portugal referem que há dois fatores que estão a contribuir em simultâneo para o aumento da mortalidade, que é mais prevalente entre os idosos, imunossuprimidos e nos homens.

O mais recente relatório da Monitorização da Situação Epidemiológica da covid-19, publicado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) dava conta de 26,1 óbitos em 14 dias por um milhão de habitantes, quando, na semana anterior, indicava 24,1 óbitos. O crescimento da mortalidade é ainda mais significativo quando comparamos os números atuais com os do período homólogo do ano passado. Em abril, por exemplo, a média diária de mortes por covid-19 foi de 19,7, um número bastante superior ao registado em abril de 2021 (uma média 3,9 óbitos).

Numa altura em que mais de 9 milhões de pessoas têm a vacinação primária completa e mais de 5,9 milhões já receberam a dose de reforço, de acordo com o mais recente relatório de vacinação publicado pela DGS em 10 de março passado, o que explica este aumento da mortalidade?

Em declarações à CNN Portugal, o médico de Saúde Pública Bernardo Gomes salienta a importância do contexto quando se fazem comparações entre os diferentes anos. Nesta altura, em maio do ano passado, o país verificava "alguma serenidade" depois de uma "onda Alpha castastrófica" que provocou a morte de muitas pessoas de grupos vulneráveis em janeiro e fevereiro de 2021.

Com a morte destas pessoas mais vulneráveis aos riscos da covid-19 nos primeiros meses do ano, é natural, de acordo com Bernardo Gomes, que nos meses subsequentes não se verifiquem tantas mortes, daí a discrepância entre os números da mortalidade registado em abril do ano passado e os de abril deste ano.

Por sua vez, o virologista Paulo Paixão atribui este aumento da mortalidade a uma conjugação de dois fatores, começando desde logo pelo alívio das medidas restritivas, como o fim do uso obrigatório das máscaras nas escolas e espaços fechados, medida que entrou em vigor no passado dia 22 de abril.

“É óbvio que, deixando de utilizar máscaras numa série de locais, o número de casos iria aumentar. E, aumentando o número de casos, aumenta a mortalidade”, salienta à CNN Portugalacrescentando que o aumento de infeções e de mortes "já era previsível" tendo em conta o levantamento das medidas.

Além do fim da obrigatoriedade do uso de máscaras, as novas linhagens da variante Ómicron também estarão a contribuir para o aumento da mortalidade, nomeadamente a linhagem BA.5, que está a registar um "aumento considerável de circulação" em Portugal, de acordo com o relatório da DGS e do INSA.

Esta linhagem "apresenta mutações adicionais com impacto na entrada do vírus nas células humanas e/ou na sua capacidade de evadir a resposta imunitária" e, de acordo com o mesmo documento, deverá tornar-se "dominante na segunda metade do mês de maio".

Em declarações à CNN Portugal, o pneumologista Luís Rocha salienta que esta nova linhagem é "mais transmissível", uma vez que o vírus "se aloja mais na via aérea superior". Daí que a não utilização de máscara esteja a contribuir para um aumento dos números de infeções e, consequentemente, da mortalidade, explica.

Embora seja mais transmissível, a linhagem BA.5 não parece ser mais grave, acrescenta o médico: "O que acontece é que, à medida que a variante evolui, torna-se mais transmissível porque foge ao circuito da neutralização dos anticorpos, mas com menor impacto em termos de gravidade."

O virologista Paulo Paixão salienta precisamente esta questão, explicando que esta linhagem tem a particularidade de conseguir "escapar um pouco" à proteção das vacinas, sendo, por isso, "mais resistente" à imunidade gerada pela vacinação. 

Mas isto não significa que as vacinas não protejam contra a doença grave, ressalva o especialista: “Continua a haver proteção. Os nossos anticorpos dão sempre alguma proteção, o vírus não mudou totalmente da sua forma original.” Também Luís Rocha reforça que "a melhor forma que temos de combater este vírus é a vacinação", que "continua a proteger acima de tudo das formas mais graves, que levam a internamento e levam às Unidades de Cuidados Intensivos (UCI)".

Mortalidade com maior prevalência em idosos, imunossuprimidos e homens

O pneumologista Luís Rocha afirma à CNN Portugal que as pessoas mais idosas, a partir dos 65 anos, e os imunossuprimidos são os grupos mais vulneráveis. Também as pessoas com comorbilidades e doenças associadas, como doenças respiratórias crónicas, doenças cardíacas crónicas, diabetes, ou  doentes oncológicos estão entre os mais vulneráveis à doença e à mortalidade.

De acordo com o mais recente relatório de situação da covid-19 da DGS, a faixa etária dos 80 ou mais anos continua a registar o maior aumento de óbitos quando comparados com as restantes faixas etárias, com 13 mortes registadas na última semana, seguindo-se depois a faixa dos 70 aos 79 anos, com o registo de quatro mortes por covid-19. O mesmo relatório deu conta da morte de uma pessoa da faixa etária dos 30 aos 39 anos. 

No relatório anterior, com dados referentes a 26/04/2022 a 2/05/2022, o maior número de mortes registou-se na faixa etária dos 60 aos 69 anos, com quatro mortes contabilizadas, seguindo-se a faixa etária dos 80 ou mais anos, com dois óbitos registados nessa semana.

Esta segunda-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revela que a mortalidade por covid-19 representou 5,8% do total de óbitos em Portugal em 2020 e foi “mais elevada e prematura” nos homens do que nas mulheres. Os homens morreram mais e mais cedo que as mulheres pela covid-19.

No primeiro ano da pandemia, a taxa de mortalidade por covid-19 foi de 69 óbitos por cada 100 mil residentes em Portugal, tendo sido mais elevada nos homens (76,4 por 100 mil) do que nas mulheres (62,5 por 100 mil mulheres), enquanto a idade média no momento do óbito foi mais elevada nas mulheres (aos 83,4 anos) do que nos homens (79,9 anos), precisa o INE, num relatório com dados provisórios sobre as principais causas de morte durante 2020.

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