Vacinas contra a covid-19 salvaram 20 milhões de vidas só em 2021

24 jun, 11:24
Vacina contra a covid-19

Estudo aponta que mais vidas teriam sido salvas se as metas da Organização Mundial de Saúde tivessem sido cumpridas e alerta que é preciso ajudar os países mais pobres

As vacinas contra a covid-19 salvaram cerca de 20 milhões de vidas, de acordo com um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica The Lancet.

Na investigação, que foi desenvolvida pelo Imperial College London, é referido ainda que 12,2 milhões das mortes evitadas se referem a países com níveis salariais acima da média, que também receberam a maioria das vacinas. De resto, se a vacinação tem valores elevados nos chamados países desenvolvidos, o mesmo não se aplica no resto do mundo. Em Portugal, que é um dos que teve um processo de vacinação com maior sucesso, a taxa de vacinação está acima dos 90%. Na Argélia, que é um dos países mais desenvolvidos do continente africano, essa percentagem não chega aos 20%.

Numa altura em que já foram distribuídas mais de 11 mil milhões de doses de vacinas, o número de mortes causadas pela covid-19 ascende a 6,3 milhões. Feitas as contas, sem a chegada das vacinas a doença teria matado três vezes mais pessoas em todo o mundo.

E notando precisamente a diferença de vacinação entre os vários países, o Imperial College London afirma que outras 600 mil mortes poderiam ter sido evitadas caso a meta de vacinar 40% da população mundial até ao fim de 2021, como queria a Organização Mundial de Saúde, tivesse sido cumprida.

Em Portugal a vacinação iniciou-se no final de dezembro de 2020, dirigindo-se, na altura, aos profissionais de saúde e aos mais idosos.

Foi o que fez o Reino Unido, o primeiro país a iniciar a vacinação, a 8 de dezembro, com a idosa Maggie Keenan, de 90 anos, a ter recebido a primeira dose nesse dia.

A mulher de 90 anos que recebeu a primeira vacina contra a covid-19 (AP)

O estudo baseou-se nas taxas de vacinação, nas mortes e nos excessos de mortalidade de 185 países, o que levou os investigadores a uma conclusão: “A vacinação contra a covid-19 alterou substancialmente o curso da pandemia, salvando milhões de pessoas em todo o mundo.”

“Ainda assim, o acesso inadequado às vacinas nos países de baixo rendimento limitou o impacto destes dados, o que reforça a necessidade de equidade na cobertura vacinal em todo o mundo”, acrescentam os especialistas.

Segundo Oliver Watson, que liderou o estudo, nos países abrangidos pelo programa Covax (os mais desfavorecidos) foram salvas cerca de 7,5 milhões de vidas, o que leva o especialista a pedir um reforço do envio de vacinas e de testes para aqueles países.

“As nossas conclusões mostram que milhões de vidas teriam sido salvas se as vacinas tivessem ficado disponíveis para todos, independentemente da riqueza”, acrescentou.

Os mais recentes dados da Organização Mundial de Saúde dão conta de que cerca de mil milhões de pessoas dos países mais pobres ainda não tinham sido vacinadas, o que aquela entidade justifica com o “insuficiente comprometimento político”.

Ainda segundo aquela organização, apenas 57 países, quase todos considerados desenvolvidos, tinham uma taxa de vacinação superior a 70%.

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