Covid. É altura de reduzir o isolamento de 7 para 5 dias?

13 jun, 07:00
Covid-19 (Getty Images)

A linhagem BA.5, dominante em Portugal, deixa o país com um prazo de isolamento mais conservador. Sem dados que garantam que a transmissibilidade é praticamente nula após cinco dias, a norma mantém-se. Mas os especialistas admitem que é possível avançar para a redução. Porquê?

Quem esteja infetado em Portugal com covid-19 deve ficar pelo menos sete dias em isolamento. Este prazo deixa o país numa posição mais ‘conservadora’ do que outros, como Espanha, França ou Estados Unidos. Com a variante Ómicron dominante em Portugal, os pneumologistas ouvidos pela CNN Portugal são favoráveis à redução, sobretudo se os custos sociais e económicos do atual intervalo forem encarados como demasiado pesados.

“Estamos num ponto em que é possível reduzir, perfeitamente”, argumenta Filipe Froes. Para este especialista, tudo depende de um equilíbrio: reduz-se o prazo de isolamento para cinco dias mas “complementa-se com outras medidas de minimização do risco de transmissão”, como o uso de máscaras.

No mesmo sentido segue o pneumologista Carlos Robalo Cordeiro, ao afirmar que “faz todo o sentido que esse período possa ser diminuído para cinco dias, como já acontece em muitos países ditos de primeira linha”. Para este especialista, “cinco dias é um prazo suficiente” para reduzir o risco de transmissão, considerando que o atual período de sete dias foi pensado “para um perfil epidemiológico diferente, com outras variantes”.

Falta de dados explica ‘conservadorismo’

Reduzir o período de isolamento de sete para cinco dias em Portugal Continental – porque na Madeira e nos Açores esse prazo reduzido já se aplica – é algo que os especialistas dizem estar em permanente análise. Contudo, revelam, a Direção-Geral da Saúde ainda não lhes fez uma abordagem direta nesse sentido.

E porque é Portugal tão conservador? Porque faltam dados sobre a linhagem BA.5. “As primeiras versões da Ómicron mostravam que ao fim de sete ou oito dias já não se transmitia o vírus. Mas com a subvariante BA.5 não temos ainda estudos com qualidade que nos permitam dizer que é inferior a sete dias. Esses estudos levam tempo”, explica Manuel Carmo Gomes.

O pneumologista admite que é possível adotar uma “atitude mais liberal e reduzir para cinco dias” se os custos sociais dos sete dias se revelarem difíceis de suportar. “Mas isto é muito arriscado, é trabalhar no arame porque não há trabalho laboratorial ou no terreno que o sustente. Deixa de ser uma decisão baseada na biologia de transmissão do vírus. Era desejável que houvesse evidência científica para mudar essa orientação”, sublinha Manuel Carmo Gomes.

No mesmo sentido segue, por exemplo, a pneumologista Raquel Duarte. Numa entrevista recente ao “Diário de Notícias” dizia que “o melhor” seria “manter os sete dias até termos evidência necessária e suficiente para ir reduzindo”.

Prontos para o cenário espanhol?

Em França aplicam-se sete dias de isolamento, que podem ser reduzidos para cinco se houver um teste negativo ou não existirem sintomas há mais de 48 horas. Nos Estados Unidos é o mesmo período – mas o doente deverá usar máscara nos cinco dias seguintes ao regresso à vida normal. Em Espanha, mesmo testando positivo, os doentes assintomáticos ou com sintomas ligeiros não precisam de se isolar.

E em Portugal isso pode mesmo ser uma realidade a curto prazo? “Estou convencido de que a maior parte dos assintomáticos está a fazer a sua vida normal. Na prática, os portugueses estão a fazer o mesmo que os espanhóis”, admite Manuel Carmo Gomes. E porquê? Porque a testagem reduziu-se substancialmente: agora tende a acontecer apenas se houver sintomas ou um contacto com um caso confirmado. Contudo, o especialista diz não poder advogar que a realidade espanhola se replique formalmente em Portugal: “Uma pessoa assintomática, infetada, tem grande capacidade de transmissão. Está em causa a saúde pública”.

A Ordem dos Médicos já veio defender o fim do isolamento para pessoas sem sintomas ou com sintomas ligeiros se evitarem ajuntamentos e usarem máscara protetora. “Pode ser difícil de gerir. Eu concordo teoricamente. A pessoa que não tem sintomatologia terá uma carga viral muito baixa”, reconhece Carlos Robalo Cordeiro. Contudo, num outro aspeto está totalmente alinhado com Carmo Gomes: “Temos uma incidência que está subestimada”.

Já quanto à adoção deste cenário espanhol do lado de cá da fronteira, Filipe Froes é categórico: “Podemos e devemos caminhar para isso”.

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