Covid-19: em Espanha os assintomáticos já não fazem isolamento. A regra vai mudar em Portugal?

15 mai, 15:30
Covid-19 em Espanha

Mesmo que testem positivo, os espanhóis sem sintomas da doença deixaram de ter de fazer isolamento há cerca de um mês. Especialista indica que Portugal segue o bom caminho, e até diz que "não devíamos ter libertado o uso de máscara de forma tão radical"

Espanha acabou com o isolamento para casos assintomáticos de covid-19 há mais de um mês, uma decisão vanguardista na Europa, e que não foi seguida por quase nenhum país. Em Portugal, mantêm-se os sete dias de isolamento para quem teste positivo e não tenha sintomas, mas há uma exceção: a Madeira aplica a mesma regra que os espanhóis desde março.

Em resposta à CNN Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) não esclarece se uma mudança por cá pode estar para breve: "A DGS acompanha a evolução da situação epidemiológica e do conhecimento científico e atualizará as suas recomendações sempre que tal se justifique", diz apenas.

Em conversa com a CNN Portugal, o presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública diz que Portugal está a seguir o caminho mais prudente, e até refere que podíamos ter medidas mais restritivas: “Não devíamos ter libertado o uso de máscara de forma tão radical”, indica Gustavo Tato Borges, que diz que ainda poderia ser prudente manter a proteção facial em alguns locais, como o ambiente de trabalho.

Olhando para o caso espanhol, o especialista aponta que a ausência de isolamento para assintomáticos se faz através de uma política de testagem que abrange apenas os maiores de 65 anos.

“Eles não conhecem a realidade da população em geral, não têm noção do impacto e da gravidade que existe”, acrescenta, vincando que Portugal segue os exemplos internacionais, nomeadamente dos Estados Unidos.

O isolamento de sete dias, diz Tato Borges, mantém-se para “minimizar” um eventual surto, “garantindo que um caso não tem tanta probabilidade de originar outros”.

“Portugal faz bem em ser cauteloso. Até podia ser mais cauteloso”, conclui, voltando à questão da libertação das máscaras. Para Tato Borges, a medida poderia ter continuado também em ambientes como as escolas, não nas salas de aula, mas fora delas, incluindo para os alunos, no caso do Ensino Secundário.

A comparação com Espanha

A decisão espanhola foi tomada após três semanas de diminuição nos casos, e teve efeito numa "fase aguda da pandemia". Foi tomada com base nos "altos níveis de imunidade" - que até são mais baixos que os de Portugal (que tem 93% da população totalmente vacinada, enquanto esse valor em Espanha é de 87%) - e com a redução "drástica" da letalidade e do número de doentes graves.

É no número de casos confirmados que a questão difere totalmente. Espanha tem muito menos casos, o que se reflete precisamente pela política de testagem menos intensa, como referiu Gustavo Tato Borges.

De acordo com os mais recentes relatórios dos dois países, Espanha registou 91.910 casos nos últimos 14 dias (relatório publicado a 9 de maio), enquanto Portugal registou 99.866 casos na semana de 3 a 9 de maio. Feitas as contas, dá uma média diária de 6.565 casos em Espanha e 14.266 casos em Portgual.

Mas há um pormenor que faz toda a diferença: é que o boletim espanhol diz respeito apenas às pessoas com 60 e mais anos, não contabilizando os eventuais casos em todas as faixas etárias abaixo disso. Se tivermos em conta apenas a faixa etária dos 60 anos para cima, os números de Portugal descem para 23.956 casos a sete dias.

Com critérios distintos, a incidência também é diferente: são 746 casos por 100 mil habitantes em Espanha e 970 casos por 100 mil habitantes em Portugal.

O que fazem os outros

A Suécia faz apenas recomendações, sendo que nem sequer se refere aos assintomáticos. De acordo com as notas publicadas na Agência de Saúde Pública da Suécia, a recomendação é para "ficar em casa se se sentir doente e tiver sintomas que podem ser de covid-19", dando exemplos como garganta irritada, febre ou tosse.

"A recomendação para ficar em casa aplica-se a todas as idades, e também aos que estão vacinados, e aos que já tiveram covid-19", acrescenta a nota.

O Reino Unido fica a meio entre Portugal e Espanha. Não existe uma lei que obrigue ao isolamento dos casos assintomáticos, mas as autoridades de saúde daquele país aconselham o isolamento destas pessoas.

Aos britânicos é pedido que "fiquem em casa e evitem o contacto com outras pessoas", mesmo no caso dos assintomáticos. Não é uma questão obrigatória, mas uma recomendação do Serviço Nacional de Saúde.

Já a Dinamarca, que tem sido dos países com medidas menos restritivas a combater a covid-19, mantém a obrigatoriedade de isolamento para assintomáticos em quatro dias, o mesmo período para as pessoas que tenham sintomas ligeiros.

Mais um dia aplicam Estados Unidos e Alemanha, que obrigam a cinco dias de isolamento a estas pessoas. De resto, no caso do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, existe mesmo uma opção interativa que permite perceber os diferentes níveis de isolamento que cada cidadão tem de fazer. É a chamada "calculadora de isolamento e quarentena", que a CNN Portugal experimentou, e que resultou em cinco dias de isolamento para todos os casos assintomáticos.

França segue as contas de Portugal e mantém os sete dias de isolamento, enquanto Itália se revela mais rígida: são sete dias de isolamento para assintomáticos, mas apenas para aqueles que tenham a vacinação completa. Caso contrário, esses sete dias podem ir até 21, ou até ao dia em que o teste esteja negativo.

No caso francês, o isolamento pode ser reduzido para cinco dias caso um segundo teste venha negativo e a pessoa continue sem sintomas.

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