Bebés no útero expostos à covid têm maior risco de sofrer atrasos no desenvolvimento

CNN Portugal , HCL
20 jun, 07:30
Bebé

Um novo estudo realizado por um grupo de investigadores norte-americanos sublinha que a exposição de um bebé ao vírus durante a gravidez pode aumentar significativamente o risco de atrasos de desenvolvimento no primeiro ano de vida da criança

Os bebés expostos à covid-19 no útero têm maior risco de sofrer de problemas de desenvolvimento neurológico, especialmente se a infeção ocorrer no último trimestre de gravidez, revela um estudo do norte-americano Center for Quantitative Health do Massachusetts General Hospital, em Boston, que acrescenta que os danos no sistema nervoso são duas vezes mais comuns no primeiro ano de vida após a exposição ao vírus durante a gestação.

A investigação, publicada na revista científica JAMA, examinou os registos médicos electrónicos de mais de 7.500 pacientes em seis hospitais, revelando que, nas crianças expostas à covid-19 no útero, a probabilidade de ser registado algum atraso no desenvolvimento - tanto a nível da fala, como a nível motor - era 80 a 90% mais elevada do que para uma criança que nasça sem ter tido contacto com o vírus.

Os investigadores advertem, no entanto, que os atrasos identificados podem atenuar-se à medida medida que a criança cresce, ou podem ser solucionados através de intervenções precoces. Contudo, o estudo manifesta preocupação com a taxa elevada de risco em crianças expostas ao vírus. "Isto é algo a que temos de prestar atenção", afirmou Roy Perlis, coautor do estudo publicado a 9 de junho, salientando que as conclusões surpreenderam a equipa. 

"O meu pensamento era: precisamos de trabalhar muito para ver se existe alguma forma de fazer com que estes dados desapareçam", disse Roy Perlis, sublinhando que foram tomadas todas as medidas para se certificarem "que não tinham um falso efeito positivo". No entanto, a associação entre a covid na gravidez e os danos neurológicos permaneceu mesmo depois de os investigadores terem contabilizado uma série de outros factores, incluindo a idade materna, etnia e o tipo de seguro (que é visto como um substituto para o rendimento). 

A equipa também descobriu que o risco estava acima relativamente a nascimentos prematuros, o que também pode aumentar a probabilidade de atrasos.

Muitos dos atrasos no desenvolvimento que foram observados no estudo não foram, contudo, específicos. Por exemplo, garante a investigação, um pediatra poderia notar que uma criança "não está a atingir a idade que se esperaria que atingisse, ou que não balbuciasse na idade em que se esperaria que balbuciasse". E, sublinha Roy Perlis, os atrasos podem não ter consequências a longo prazo.

"Em muitos casos, estes são diagnósticos que se resolvem com a idade. Portanto, pode muito bem ser que, quando voltamos atrás e olhamos para estas crianças depois de 18 meses ou dois anos, elas já tenham recuperado", salvaguarda. "Mas queríamos estabelecer um método para estudar este grupo, para que, se houver problemas mais tarde, possamos detectá-los o mais cedo possível."

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