Quer fazer um teste à covid-19 gratuito? Farmácias ainda não têm capacidade de ler prescrições

João Guerreiro Rodrigues | Cláudia Évora , Atualizado às 18:29
24 mai, 07:00
Teste à covid-19

Segundo a portaria publicada no Diário da República a medida entrava em vigor esta terça-feira, mas as farmácias admitem não ter os meios necessários para processar as receitas médicas

As farmácias portuguesas não têm os meios necessários para ler e validar as prescrições dos utentes que receberam uma receita médica para fazer um teste rápido à covid-19 em farmácias, após a medida ter sido publicada na segunda-feira, numa portaria em Diário da República.

Ao que a CNN Portugal apurou junto de fonte oficial da Associação de Farmácias de Portugal (AFP), os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) ainda não disponibilizaram o sistema necessário, nem uma data para que as farmácias consigam aceder à prescrição passada pela linha SNS24, ou por um médico de família.

“O SPMS encontra-se ainda a fazer os desenvolvimentos necessários para que as farmácias consigam aceder a essa prescrição. Se estes desenvolvimentos estivessem feitos, começaríamos a fazer os testes na farmácia já esta terça-feira”, explicou a vice-presidente da AFP, Manuela Pacheco.

Esta terça-feira, mesmo que o utente se desloque à farmácia com uma receita passada pelo médico, estas ainda não têm capacidade de fazer a leitura e disponibilizar um teste rápido comparticipado. Até à data, as farmácias ainda não receberam uma data para quando será disponibilizada a plataforma que permitirá aos farmacêuticos a leitura das receitas, embora a portaria publicada em Diário da República indique que a medida entra em vigor esta terça-feira, dia 24 de maio.

Os testes rápidos serão comparticipados se tiverem o valor máximo de realização de 10 euros.

O Executivo justificou esta medida devido à “incidência muito elevada no país”, que mantém uma “tendência crescente” que poderá contribuir o aumento de circulação de variantes com maior potencial de transmissão.

A vice-presidente da AFP diz acreditar que o Ministério da Saúde está disposto “a fazer o impossível” para disponibilizar o serviço necessário às farmácias o quanto antes.

 

Contactados pela CNN Portugal, os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde garantem estar a trabalhar juntamente com as associações que representam as farmácias para "apoiá-las na adoção do sistema de verificação de prescrições existente" e diz esperar ter o sistema pronto e implementado em todas as farmácias "no decorrer da presente semana. 

Ao contrário do que aconteceu até ao final de abril, os testes rápidos comparticipados vão ser feitos num modelo “um pouco diferente” do que acontecia antes, com os utentes a terem de apresentar uma receita médica. “Agora os utentes têm de trazem uma prescrição, que pode ser pedida pelo seu médico de família, ou através de um pedido na linha SNS24.”, explica Manuela Pacheco.

Desde a semana passada que a linha SNS 24 passou a fazer a prescrição de testes antigénio a quem tiver autoteste positivo através de atendimento automático, de forma a facilitar a resposta ao aumento do número de contágios.

Número recorde de chamadas

Recorde-se que a linha SNS24 atendeu, nos primeiros cinco meses deste ano, mais chamadas do que em todo o ano de 2021, de acordo com dados dos SPMS. No total, desde o início do ano, a linha SNS24 atendeu 6.099.500 chamadas. No ano passado, foram atendidas um total de 6.070.170 chamadas, o que corresponde a um aumento de mais de 29 mil chamadas atendidas só até à última segunda-feira.

Os SPMS confirmaram recentemente  que a procura da linha SNS24 "intensificou-se nas últimas semanas", sendo que o período mais intenso, até ao momento, registou-se precisamente na última semana, de 9 a 15 de maio, quando a linha atendeu cerca de 49 mil chamadas, em média, por dia. Já "na semana de 25 de abril a 1 de maio, foram atendidas cerca de 16 mil chamadas diárias; e de 2 a 28 de maio, mais de 30 mil chamadas", acrescentam os serviços.

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