Noites de Santo António e São João vão bater recordes de casos de covid-19. Escapam os festivais

9 jun, 07:00
São assim os Santos Populares em Alfama: música, sardinha assada, bifanas e convívio. A festa faz-se nos vários arraiais de Lisboa enquanto se espera pela noite de Santo António.

Estimativa é do matemático Henrique Oliveira que prevê que na véspera dos dois feriados possa haver 60 mil contágios em Lisboa e 45 mil no Porto. Festivais podem representar 10 mil novas infeções por dia, estima ainda o especialista do grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia em Portugal

As noites de Santo António e de São João vão registar as maiores subidas de casos no mês de junho, segundo as previsões do matemático Henrique Oliveira, do grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia em Portugal. O especialista sublinha, ainda, que as festas populares vão ter um impacto mais negativo do que os festivais.

No total, o matemático estima um mínimo de 60 mil contágios em Lisboa na noite de 12 de junho e 45 mil no Porto, a 23. Na véspera do feriado de São Pedro, dia 28, são também estimados cerca de 30 mil contágios. Estes, explica Henrique Oliveira, vão ser os dias em que se vai registar um maior número de infeções, “porque os Santos Populares convocam centenas de milhares de pessoas, que podem chegar aos 400 mil, em espaços onde o distanciamento social é completamente inalcançável", enquanto "nos festivais apenas estão presentes no mesmo recinto cerca de 60 a 70 mil pessoas”. 

O pneumonologista Filipe Froes aponta, também, para o facto de o perfil de idades de quem frequenta os festivais de verão ser diferente da população que participa nos Santos Populares, salientando que estas festas “envolvem pessoas de grupos de risco de várias freguesias e bairros, num ambiente de proximidade com possíveis portadores de SARS-CoV-2”.

10 mil casos em cada dia de festivais

Por outro lado, durante os festivais de verão que vão ter lugar em junho - o Rock in Rio, em Lisboa, e o NOS Primavera Sound, no Porto - o número de contágios previsto pelo matemático do Instituto Superior Técnico é inferior ao dos dias de maior risco nas festas populares. “Atendendo ao histórico de mobilidade dos cinco anos anteriores à pandemia e às condições climatéricas habituais, podemos esperar 10 mil casos em cada um dos dias destes grandes eventos”, antecipa.

Henrique Oliveira alerta que os festivais de verão também são eventos supertransmissores de vírus, o que significa que, com uma maior concentração de pessoas no mesmo espaço, “o RT vai subir e agir em contra-ciclo da tendência que temos registado de esgotamento de infeções através dos contactos mais próximos”. “Este tipo de eventos faz com que as pessoas saiam do seu círculo familiar, onde já saturaram a possibilidade de serem infetados, tornando-as mais susceptíveis ao vírus”, nota.

De acordo com contas feitas pelo grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia, o total de casos provenientes das festas populares e dos festivais de verão que se realizam este mês vão ascender, no mínimo, a 350 mil, um número que vai fazer com que “a descida prevista de infeções da sexta vaga seja mais lenta e o número acumulado de casos em julho seja muito superior”.

Pico ainda não foi atingido

Por outro lado, Filipe Froes alerta para o facto de Portugal ainda não ter chegado ao máximo de internamentos e de óbitos da sexta vaga e de estes eventos que juntam milhares de pessoas atrasarem esse pico. “Temos uma fase inicial de incidência e depois temos fases de internamentos e de óbitos e o pico destas duas últimas fases ainda não foi atingido, ainda vamos registar incrementos em termos de mortos e hospitalizações”, refere.

No mesmo sentido, Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, afirma que “a previsão é que os casos disparem, como dispararam após a queima das fitas e a celebração do campeonato do FC Porto” e reitera que os festivais de verão e os Santos Populares acontecem “numa altura em que o vírus circula de forma muito intensa entre nós”.

Por isso, adverte, é importante o uso da máscara e o cuidado com a distanciamento social, ainda que o ambiente de festa torne difícil o cumprimento das medidas de segurança. Ainda assim, Gustavo Tato Borges apela à responsabilidade individual. "As pessoas precisam de avaliar se vale a pena colocarem-se em risco de ser infetados pela doença e de infetarem os seus parentes mais vulneráveis, ou se de facto podemos celebrar de forma um bocadinho mais contida e com um bocadinho mais de cuidado."

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