Não é Delta, é Ómicron: China dá novas informações sobre a vaga de covid-19 no país

Agência Lusa , AM
5 jan, 09:54
Covid-19 na China (Associated Press)

Há um total de 31 linhagens da Ómicron que estão atualmente a circular na China, incluindo as variantes BQ.1 e XBB

O diretor do Centro de Controlo de Doenças da China, Xu Wenbo, assegurou esta quinta-feira que dados epidemiológicos em tempo real não mostram vestígios da variante Delta da covid-19 no país asiático.

Citado pela televisão estatal CCTV, Xu disse que as linhagens BA.5.2 e BF.7 da variante Ómicron são dominantes na China e respondem por mais de 80% dos casos no país asiático.

“Desde o início de dezembro que circulam na China nove linhagens da variante Ómicron, que representam a grande maioria dos novos casos”, disse o especialista.

Xu Wenbo recusou também que exista uma linhagem que tenha surgido da combinação entre as variantes Delta e Ómicron.

No entanto, observou que um total de 31 linhagens da Ómicron estão atualmente a circular na China, incluindo as variantes BQ.1 e XBB.

Estes números estão em linha com os dados apresentados, na quarta-feira, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que finalmente conseguiu divulgar informações sobre os casos de covid-19 no país asiático, depois de ter recebido informação relevante por parte das autoridades chinesas.

“Nenhuma nova variante ou mutação significativa foi identificada nos dados de sequenciamento disponíveis ao público”, disse a OMS, em comunicado, após uma reunião sobre a evolução do coronavírus entre o seu grupo de especialistas e representantes do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças da China (CDC).

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning garantiu na quarta-feira que “partilhou dados e informações” sobre os casos de covid-19 registados no país asiático “de forma responsável”, e voltou a pedir à comunidade internacional que evite “politizar a pandemia”.

40% da população chinesa foi infetada no último mês

Especialistas locais estimam que um total de 600 milhões de pessoas terá sido infetada com covid-19 na China, ao longo do último mês, depois de o país ter posto fim à política de ‘zero casos’. Aquele número equivale a 40% da população do país asiático, que é o mais populoso do mundo.

Citado pela imprensa local, o epidemiologista Zeng Guang, membro do Painel de Especialistas de Alto Nível da Comissão Nacional de Saúde do país asiático, considerou aquela estimativa “razoável”, já que a maioria das cidades chinesas relatou que pelo menos 50% da sua população testou positivo para o vírus ao longo das últimas semanas.

Zeng admitiu que a velocidade de transmissão do vírus na China foi mais rápida do que o esperado, com 80% da população de Pequim a ter sido infetada no espaço de um mês. Em Xangai, a “capital” económica da China, aquele valor ascende a cerca de 70%, afirmou.

As duas principais cidades da China têm mais de 20 milhões de habitantes.

O responsável acrescentou que mais de 600 milhões de pessoas no país terão sido infetadas até 29 de dezembro.

No início do mês passado, a China aboliu a estratégia de ‘zero casos’ de covid-19, que vigorou no país ao longo de quase três anos, resultando numa rápida propagação do vírus, face à ausência de imunidade natural na população.

À medida que a China parou de fazer qualquer rastreamento significativo do desenvolvimento dos surtos no país, os dados oficiais passaram a estar desfasados da realidade no terreno. As imagens de crematórios e serviços de urgências a abarrotar sugerem, no entanto, que o país atravessa uma grave crise de saúde pública.

9.000 mortes por dia causadas pela doença

Os especialistas chineses estimaram que a China tem atualmente cerca de cinco milhões de pacientes em estado grave. A empresa britânica Airfinity, que analisa dados do setor da saúde, apontou que a China está atualmente a sofrer cerca de 9.000 mortes por dia causadas pela doença.

Cao Yunlong, bioquímico e professor assistente na Universidade de Pequim, disse que a letalidade das diferentes linhagens da variante Ómicron foi subestimada na China. E observou que, apesar de a linhagem BA.1 da Ómicron ser mais ligeira do que a variante Delta, a versão BA.5, que é a mais prolífica na China, recuperou o nível de patogenicidade.

Liang Wannian, epidemiologista chinês e ex-líder da equipa da Comissão Nacional de Saúde responsável pelo combate contra o coronavírus, considerou que é muito difícil calcular a taxa de mortalidade dos surtos atuais, que continuam a alastrar-se rapidamente. Liang disse que só no fim vai ser possível obter um número mais preciso.

Um documento interno do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças estimou que cerca de 248 milhões de pessoas foram infetadas pelo coronavírus entre 1 e 20 de dezembro.

Zhang Wenhong, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas do Hospital Huashan de Xangai, disse que cerca de 80% dos 1,4 mil milhões de habitantes da China vão ficar infetados até 22 de janeiro, o primeiro dia do Ano Novo Lunar, a principal festa das famílias chinesas.

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