Os excessos de Natal roubam rendimento à corrida?

13 dez 2021, 06:19
Outono em Lisboa
Outono em Lisboa

Com o Natal à porta e quem sabe uma São Silvestre na agenda, a balança divide-se entre quem come para correr e quem corre para comer. Para que prato pende mais a sua?

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E cá estamos nós em dezembro… para muitos o mês mais mágico do ano, para outros o mais guloso. Curiosamente, em Portugal, o prato mais típico até é um singelo bacalhau cozido com batatas e couves, o problema são mesmo aqueles pratos que ganham raízes na mesa da sala, cheios de doces, salgados e fritos mesmo ali à mão de petiscar. Desculpas para não lhes resistirmos são aos milhares. E bons argumentos para os ignorarmos?

Posto isto, proponho desta vez uma reflexão sobre “se os exageros da época natalícia são prejudiciais às corridas ou se as corridas são uma forma de queimar os excessos?” E parece que fui bater à porta de dois auto-intitulados regrados. 

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Atleta olímpica e detentora do recorde nacional dos 400 metros, Cátia Azevedo assume que adora o Natal e os doces da sua terra, convencida de que “ninguém rejeita uma boa rabanada”. Sem saber, tocou no meu ponto fraco, que não resisto ao meu doce favorito da quadra: a rabanada.

“Eu não me privo mas evito comer muito, porque tem consequências para o futuro, e o meu rendimento é o meu futuro”.

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Sem a responsabilidade, nem os títulos da Cátia Azevedo, mas com uma dedicação diária à corrida, Ricardo admite que também gosta de doces, só muda é a especialidade. “Não nego uma fatia de pão de ló ou de bolo rei, mas não exagero. Consigo controlar-me.”

Rendimento desportivo pode ser afetado pela alimentação?

Já percebemos que ambos se portam muito bem, mas e em relação ao rendimento, pode ser de alguma forma afetado pelos mal afamados excessos natalícios? O nutricionista Pedro Carvalho considera que mais grave do que comer muito ou mal, é não treinar.

“No caso dos atletas ‘a sério’ a paragem pode prejudicar o rendimento. É por isso que no futebol britânico até há o Boxing Day, a 26 de Dezembro. No caso dos atletas recreativos também, ainda assim o problema não será tão grande”.

Mas quando se procura atingir certos objetivos “todas as refeições são importantes e não só o pré e pós-treino. Se o objectivo for melhorar perfomance, a ingestão de hidratos de carbono deve ser maior, sobretudo nas 24-48 horas anteriores e não apenas na refeição antes da prova”. O nutricionista Pedro Carvalho chama a atenção para o que Cátia considera muitas vezes um tabu, sem razão.

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“Há fases em que necessito de mais hidratos. É um mito quando dizem que não devemos comer hidratos à noite porque é aos hidratos que vamos buscar energia”.

Mas se leu estas últimas frases como um livre-passe para se encher de pão, massa e mais alguma coisa à noite, prepare-se para o mas…

“Quando a prática desportiva é mais ocasional e com o objetivo de perder gordura, há que haver maior atenção nas quantidades tanto de hidratos como de proteína em todas as refeições e não apenas no ‘batido’ pós-treino”, explica Pedro Carvalho enquanto acrescenta que o apoio de um nutricionista é uma mais valia para ajudar as pessoas a alcançarem os seus objectivos, seja apenas emagrecer, seja conseguir correr mais tempo ou mais depressa. 

Alimentos proibidos

Quem faz das corridas profissão, como a Cátia, o plano alimentar é fundamental e para ser cumprido, embora ressalve que não está proibida de comer nada. Tem é de respeitar as quantidades. É o que acontece hoje com Ricardo que come de tudo um pouco, sem entrar em excessos, embora ainda se lembre de quando não corria e a balança lhe mostrava mais 30 quilos do que agora.

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“Faço uma alimentação normal sem dietas malucas, mas não entro em fast-food. Às vezes uma pizza, mas de longe a longe”. E quando, como agora, o Ricardo se anda a preparar para uma maratona, corta no álcool. 

Já agora, será que há alimentos proibidos antes das provas? “Não existem propriamente alimentos que ‘roubem’ rendimento, apesar de existirem muitos que não devem ser ingeridos nas refeições pré-competitivas pois a sua digestibilidade não é a melhor (lacticínios, frutos gordos, carnes e peixes gordos, pratos picantes e condimentados). Dependendo do desporto em causa, são os hidratos de carbono (cereais, pão, arroz, massa, batata, fruta) que nos dão energia para os momentos de maior intensidade do treino e prova. Para um atleta a sério, a sua ingestão tem de ser muito grande pois o principal objetivo é performance. Mas para um indivíduo que treina 2 a 3 vezes por semana a sua quantidade deve ser mais limitada”.

O nutricionista Pedro Carvalho sublinha que um plano ajustado às necessidades e objetivos de cada pessoa é fundamental. Tanto quanto o equilíbrio que a Cátia e o Ricardo dizem procurar entre o que comem e o que correm. 

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