No mundo do exercício físico, um conselho: nunca "salte" a segunda-feira

29 nov 2021, 14:16
Exercício físico
Exercício físico

A pivô Rita Rodrigues escreve sobre um hábito entre os amantes do desporto: treinar no dia em que não costuma apetecer nada

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Segunda-feira, o dia da semana mais odiado por muitos, é para outros sagrado. É, numa metáfora do que aí vem, a linha de partida. Para quem não vive sem fazer desporto, para quem encara aquela meia hora ou hora diária como uma espécie de religião, o 'never skip a monday' é um mantra.

Não saltar a segunda-feira é um compromisso que uma vez cumprido dá motivação para o resto da semana. Eu assumo-me seguidora desse movimento. Começar a semana com um objetivo e cumpri-lo é logo uma conquista. E um 'boost de energia' nas palavras da Isabel Silva, nome que dispensa explicações entre quem pratica desporto e procura inspiração nas redes sociais.

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"Eu sou daquelas que corre à segunda, à terça, à quarta, à quinta... mas a segunda-feira é o dia em que não abdico realmente de praticar atividade física, porque é a melhor forma de começarmos a semana, motivados e com energia necessária para os desafios que nos aparecem."

Com uma legião de seguidores no Instagram, a mensagem de Isabel Silva é simples: "Se há dia em que não se pode falhar é a segunda-feira".

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É o mesmo princípio de Rui Ascensão. Boa parte dos muitos quilómetros que correu nos últimos anos tiveram lugar a uma segunda-feira. "Normalmente não falho segundas, mas depende do que vem no plano de treino".

E esta parece ser, entre as pessoas com quem falei, a única desculpa admissível para falhar o primeiro dia da semana.

"Costumo ter um treino longo ao fim de semana, muitas vezes ao domingo, e a segunda acaba por ser de descanso. O primeiro treino da semana é à terça, pronta para uma nova semana".

Quem o diz é Raquel Fortes que, à semelhança dos corredores anteriores, há muito deixou as corridinhas diárias para se lançar para distâncias mais longas.

Quando os cinco quilómetros já não chegam ou quando se ouve o chamamento da meia ou da maratona, inevitavelmente surge o plano de treinos. Por ter percebido na pele a diferença que um plano faz tanto na conquista do objetivo como na recuperação no dia a seguir à prova (ninguém quer ir a coxear para o trabalho no dia a seguir à maratona), Raquel acaba de lançar o Move Wisely, que "desenvolve programas 360, ajustados ao perfil de cada pessoa".

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Rui diz que é "mais apologista de termos uma 'cenoura'. Uma prova na agenda, que, se for mais exigente, convém seguir um plano". E Isabel procura no plano o equilíbrio entre o prazer de correr e a gestão da rotina: "Os planos ajustados são fundamentais porque eu sou uma corredora amadora, ou seja, não faço disto vida, tenho outras responsabilidades profissionais".

"Se ando a sair mais tarde do trabalho e por isso também vou dormir menos, o plano tem de contemplar o ritmo do meu dia a dia". E por isso é que faz uma ressalva: "Quando falo de um plano, ele tem de ser feito por um profissional, seja treinador, professor, PT... não basta tirarmos um plano da internet que não está ajustado à nossa dinâmica de vida".

A dimensão mental do plano

O plano tem ainda outra dimensão importante que é o compromisso que a pessoa estabelece consigo mesma, sobretudo para quem tem mais tendência a desistir.

A psicóloga Liliana Dias descreve o plano como "um mapa que guia, por exemplo quando há um objetivo novo". "E a criação do plano ajuda a torná-lo mais real". E se, por um lado, a repetição de certos passos se torna num hábito mais fácil de realizar, por outro há um ganho emocional, o da motivação. "Quando se consegue implementar o plano e cumprir os objetivos, mesmo que pouco ambiciosos no início, reforça-se a auto-eficácia e a auto-estima e ao mesmo tempo a pessoa aprende o que tem de fazer para conseguir os resultados que definiu. E depois até pode generalizar para outras áreas da vida".

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Motivação e superação. São dois vértices de um triângulo onde a preguiça não pode entrar. Porque, sabemos bem, é ela que tantas vezes nos impede de dar o primeiro passo. É ela que nos impede de começar a semana em glória. E às segundas-feiras tudo parece mais difícil, não é?

"Por pouca vontade que eu tenha, quando vou e termino, garantidamente que digo sempre, ainda bem que fui, sinto-me muito melhor... e esta sensação pode ser transposta para outras coisas da nossa vida". A frase é da Isabel Silva, mas podia vir de qualquer um que não cedeu à tentação de adiar.

No fundo, o “never skip a Monday” é mesmo isso. Se é para ser feito, que seja já. Não arranje desculpas e faça o que anda a querer há tanto tempo. Até porque adiar a partida é adiar a meta e, acredite, a sensação de a cruzar vai empurrá-lo para novos desafios.

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