“Tudo mudou no vírus menos as vacinas", que têm perdido eficácia

3 jun, 22:12

Portugal contou 700 mil infecções em maio

As vacinas contra a Covid-19 ainda protegem contra a doença grave e morte, mas são cada vez menos eficazes, sobretudo na prevenção dos contágios. 

A explicação é avançada à CNN Portugal por Filipe Froes e ajuda a compreender a previsão da Agência Europeia do Medicamento (EMA) que anunciou a aprovação de novas vacinas, atualizadas, para setembro, a tempo de uma nova vaga que pode surgir no outono. 

O pneumologista, consultor da Direção-Geral da Saúde (DGS) e coordenador do Gabinete de Crise da Ordem dos Médicos para a Covid-19 recorda que ao longo dos últimos dois anos tudo mudou na pandemia, a começar pelas variantes, mas as vacinas continuam iguais às que foram desenvolvidas inicialmente pelas farmacêuticas. 

Da Alpha à Ómicron

O vírus original surgido na China deu lugar às variantes Alpha, Beta e Gamma que entretanto até desapareceram e foram substituídas pela Delta e pela Ómicron que se tornou dominante - nomeadamente em Portugal.

“E o que significa quando tudo muda e as vacinas ficam iguais? As vacinas vão perdendo a sua utilidade, sobretudo na prevenção da infecção e transmissão. Mantêm a utilidade na prevenção medida pela hospitalização e morte, mas têm outra particularidade: a sua duração de eficácia e efeito também vai diminuindo”, detalha Filipe Froes.   

Apesar da conclusão anterior, o especialista sublinha que ainda vale a pena ser vacinado com as doses que os países têm armazenadas, mesmo que a progressiva perda de eficácia tenha dado um empurrão à atual sexta vaga.  

Só em maio Portugal registou 700 mil casos positivos e Filipe Froes admite que “é evidente que uma vacina com menor eficácia permite que o vírus tenha maior impacto''. No entanto, “se não tivéssemos as vacinas teríamos mais ondas e seria muito pior”. 

Novas variantes, novas vacinas 

Recorde-se que apesar da progressiva menor eficácia, a EMA mantém a recomendação da segunda dose de reforço (ou quarta dose) para as pessoas com mais de 80 anos ou com outras doenças associadas.

As novas vacinas, que deverão ser aprovadas em setembro pela EMA, já vão ter em conta as novas variantes e por agora ainda ninguém sabe, ao certo, quem terá de ser re-vacinado, apesar do pneumologista ter a certeza de que os grupos mais vulneráveis e os profissionais de saúde estarão nessa lista.

“Para os outros grupos, nomeadamente os grupos pediátricos e adultos jovens, vai depender das características clínicas das novas variantes nessas pessoas, do risco de transmissão aos restantes e do impacto que a Covid-19 vai ter na comunidade”, refere Filipe Froes. 

Com a aprovação das novas vacinas sobra também uma dúvida sobre o que irá acontecer às doses que continuem eventualmente armazenadas. As questões feitas pela CNN Portugal ao Infarmed - Autoridade Nacional do Medicamento ficaram, até agora, sem resposta.   

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