Abadia de Westminster, o palco da família real britânica na vida e na morte: 39 coroações, 16 casamentos reais, 17 túmulos reais

5 mai, 08:00

Coroações, casamentos, funerais e outras cerimónias reais têm tido lugar neste templo no centro de Londres

É o palco da coroação e para onde convergirão todos os caminhos de Londres no próximo sábado. A Abadia de Westminster, o templo mais antigo e famoso da capital do Reino Unido, é o cenário escolhido pela família real há quase mil anos para as celebrações mais importantes, desde coroações a casamentos, passando também pelos funerais de Estado.

A sua ligação à família real data dos anos 1040 quando o rei Edward, o Confessor, instalou o palácio real nas margens do rio Tamisa, bem perto de um pequeno mosteiro beneditino que o monarca decidiu ampliar em honra do apóstolo São Pedro. A igreja ficaria conhecida como "west minster", ou catedral do leste, para ser distinguida da Catedral de S. Paulo (a "east minster") na cidade de Londres.

Mas, no dia em que a igreja foi consagrada, a 28 de dezembro de 1065, o rei adoeceu e não compareceu à cerimónia. Poucos dias depois, morreria. Em meados do século XIII, o rei Henry III decidiu reconstruir a igreja com um estilo gótico.

De acordo com o site oficial, por ordem do rei de Inglaterra, a Abadia de Westminster foi então concebida para ser "não só um grande mosteiro e local de culto, mas também um local para a coroação e o enterro dos monarcas", tendo a nova igreja sido consagrada a 13 de outubro de 1269.

Para além dos monarcas, na Abadia de Westminster estão também sepultadas algumas das figuras mais importantes da história do Reino Unido, como o matemático Isaac Newton, o astrofísico Stephen Hawking ou o cientista Charles Darwin.

O 40.º monarca a ser coroado em Westminster

Desde 1066 que todas as coroações de monarcas britânicos tiveram lugar neste templo do centro de Londres, tendo sido a primeira a de William I, o Conquistador, que foi coroado no dia de Natal daquele ano.

Com exceção de Edward V (que foi destituído antes de ser coroado) e Edward VIII (que abdicou do trono), depois de William I, todos os soberanos foram coroados na Abadia de Westminster seguindo o ritual da unção com os óleos sagrados. Na coroação de Isabel II, a primeira a ser transmitida na televisão, esse foi o único momento que não foi filmado, uma limitação que vai ser seguida por Carlos III no dia 6 de maio.

Carlos III será o 40.º monarca a ser coroado na abadia, numa cerimónia que se assemelha ao serviço de coroação elaborado por São Dunstano, arcebispo da Cantuária entre 960 e 978, e que foi praticamente mantido intacto desde então. Para a celebração, o novo monarca escolheu pessoalmente as músicas que serão tocadas e quem estará na cerimónia.

Foi ainda revelado esta semana que a tradicional homenagem dos pares foi substituída, de acordo com a CNN Internacional, por uma "homenagem do povo", em que o público será convidado a juntar-se a "um coro de milhões de vozes que, pela primeira vez na história, poderão participar neste momento solene e alegre".

Segundo a revista Hello, também o príncipe William irá prestar a "homenagem de sangue real", também descrita como "palavras de fidelidade", à semelhança do juramento que o duque de Edimburgo fez à rainha Isabel II em 1953.



Certo é que a história da Abadia de Westminster é indissociável da monarquia britânica, até porque, de acordo com o site oficial do templo, para além das coroações, só na Abadia estão enterrados 17 reis e rainhas britânicos e ali foram também realizados os casamentos e as cerimónias fúnebres de muitos outros monarcas e familiares, embora os seus corpos não estejam sepultados nesta igreja - é o caso do da princesa Diana, da rainha-mãe e da rainha Isabel II.

A 29 de abril de 2011, casavam no templo da capital do Reino Unido os agora príncipe de Gales, William e Kate, numa cerimónia que foi vista por mais de 162 milhões de pessoas por todo o mundo. Antes, em 1947, tinham casado no mesmo local a rainha Isabel II e o duque de Edimburgo. 

No total, a Abadia de Westminster foi palco de 16 casamentos reais, tendo sido Henry I e Matilde da Escócia o primeiro casal real a contrair matrimónio no templo, em 1100.

As cerimónias anuais incluem ainda um serviço de ação de graças pela vitória na Batalha da Grã-Bretanha em 1940, uma cerimónia para os juízes no início do ano judicial e uma cerimónia para assinalar o Dia da Commonwealth.

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