Revelados planos da cidade tecnológica “de 10 minutos” em Seul

CNN , Oscar Holland
25 nov, 08:51
Créditos: Courtesy WAX & Virgin Lemon
Créditos: Courtesy WAX & Virgin Lemon

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A ideia de uma "cidade de 15 minutos", na qual os residentes podem estar no trabalho ou em espaços de lazer em 15 minutos a pé ou de bicicleta a partir de casa, ganhou bastante força entre os urbanistas durante a pandemia da covid-19.

Agora, um grupo de arquitetos está a delinear um bairro ainda mais ambicioso na capital da Coreia do Sul, Seul: uma cidade de 10 minutos.

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Batizado como "Projeto H1", este empreendimento tem como objetivo transformar um velho estaleiro industrial numa cidade “inteligente” interconectada. Combinando oito edifícios residenciais com escritórios de coworking e áreas de estudo, esta zona com 500 km2 também deverá alojar espaços de entretenimento, centros de fitness, piscinas e até quintas urbanas hidropónicas.

O projeto é composto por oito torres residenciais, bem como espaços comerciais e de lazer. Créditos: Cortesia WAX & Virgin Lemon

Concebido pela empresa de arquitetura holandesa UNStudio e patrocinado pela Hyundai Development Company (uma empresa imobiliária pertencente ao conglomerado do fabricante de automóveis com o mesmo nome), o bairro também será totalmente interdito a carros. De acordo com o comunicado de imprensa relativo ao projeto, "todas as comodidades da cidade" ficarão a 10 minutos a pé, a partir das casas das pessoas.

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Num comunicado da UNStudio, o cofundador Ben van Berkel afirma que a “experiência quotidiana” dos residentes é a “principal prioridade” do projeto.

"Fazemos isto graças à inclusão de uma alta densidade de experiências edificantes e com curadoria no local, que fornecem uma extensa gama de opções para a forma como pretendem gerir a sua vida, tempo de trabalho e tempo de lazer, poupando também o tempo necessário para viajar para outros locais da cidade. Com o tempo que poupam, gera-se mais tempo", segundo ele.

Uma representação digital mostra os residentes a passear no bairro de pedestres. Créditos: Cortesia WAX & Virgin Lemon


Um porta-voz da UNStudio confirmou que o projeto já teve luz verde, mas não revelou quando terá início a construção. Por agora, uma série de representações em computação gráfica dão algumas pistas quanto ao aspeto do bairro, com praças, jardins, telhados verdes e "zonas naturais" ligadas por passagens pedonais.

Segundo os arquitetos, essa energia limpa será produzida no local, e estão a ser concebidos sistemas para captar e armazenar chuva, de modo a reduzir o consumo de água.

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O conceito da "cidade de 15 minutos" começou por ser proposto pelo académico franco-colombiano Carlos Moreno, em 2016, e mais recentemente tornou-se popular graças à presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, que propôs transformar a capital francesa numa "ville du quart d'heure", ou cidade de 15 minutos, na sua recente campanha de reeleição.

Vista aérea de uma proposta de bairro. Créditos: Cortesia WAX & Virgin Lemon


Alguns críticos sugeriram que o conceito poderia resultar na gentrificação, ao concentrar ainda mais a riqueza nas zonas com mais acessibilidades e comodidades. Em contrapartida, o interesse nos bairros de "15 minutos" poderá resultar em preços de casas proibitivos para as comunidades marginalizadas e com baixo poder aquisitivo.

Mas a pandemia da covid-19 registou um interesse crescente neste conceito. Com pessoas de todo o mundo em teletrabalho, a evitar os transportes públicos, os urbanistas começaram a adaptar as ruas aos pedestres e a reimaginar como as cidades poderão gerir altas densidades populacionais.

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Num artigo para a publicação académica Smart Cities, no início deste ano, Moreno escreveu: "O surgimento desta pandemia expôs a vulnerabilidade das cidades... e a necessidade de repensar tudo de forma drástica. Há que personalizar medidas inovadoras, para garantir que os residentes urbanos conseguem enfrentar e prosseguir as suas atividades básicas, e até mesmo culturais, de modo a que as cidades se mantenham resilientes e habitáveis a curto e longo prazo."

Ele acrescenta que: "é agora necessário que haja investigação adicional para mostrar como este conceito e os respetivos elementos podem ser replicados em cidades de países economicamente menos desenvolvidos."

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