Coreia do Norte nunca testou tantas armas, mas preside ao organismo de desarmamento da ONU

3 jun, 07:57
Ensaio Mísseis Coreia do Norte (Jung Yeon-Je/ Getty)

Quando Pyongyang se prepara para retomar os testes nucleares, o embaixador norte-coreano jurou que “a Coreia do Norte continua empenhada em contribuir para a paz e desarmamento globais”

Em plena corrida armamentista, a Coreia do Norte assumiu na quinta-feira, em Genebra, a liderança da Conferência para o Desarmamento, o organismo das Nações Unidas criado com o intuito de alcançar acordos internacionais de desarmamento. 

A nomeação da Coreia do Norte para liderar este órgão é um acaso que resulta de um mero automatismo: a presidência é rotativa entre 65 membros, por ordem alfabética.

A vez de ser a Coreia do Norte a dirigir o organismos surge precisamente quando o país se volta a destacar no panorama internacional por estar a fazer testes de armamento a um ritmo sem precedentes. Só este ano o regime de Kim Jong-Un já fez 15 testes de mísseis balísticos, incluindo o que poderá ser uma nova geração de mísseis balísticos intercontinentais. Para além disso, o país repôs a sua capacidade de conduzir ensaios nucleares, o que poderá voltar a suceder a qualquer momento. 

Recorde-se que a Coreia do Norte já fez seis ensaios nucleares, o que lhe valeu um conjunto de sanções das Nações Unidas, que permanece em vigor, por violação das resoluções do Conselho de Segurança. 

Em 2018 Pyongyang renunciou ao seu programa de testes nucleares, mas entretanto voltou a ativá-lo, reconstruindo os túneis subterrâneos na montanha onde costuma fazer esses ensaios. Os EUA propuseram um novo conjunto de sanções contra a Coreia do Norte, devido a esta nova corrida armamentista, mas China e Rússia opuseram-se. 

Na hora de assumir a liderança da Conferência do Desarmamento, o embaixador da Coreia do Norte declarou que é uma "honra e um privilégio" desempenhar este papel e assegurou que "a Coreia do Norte continua empenhada em contribuir para a paz e desarmamento globais, e atribui importância ao trabalho da conferência".

Vários países enviaram para a sessão representantes de segunda linha, em vez de embaixadores, mas ao contrário do que já sucedeu no passado, ninguém se levantou ou protestou no momento em que o regime norte-coreano assumiu as novas funções. 
Esta sexta-feira, em Seul, houve um encontro de altos representantes dos EUA, Japao e Coreia do Sul, para discutir a ameaça colocada pela Coreia do Norte. O representante norte-americano garantiu: “Estamos preparados para qualquer contingência”.

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