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Arsenal nuclear "irreversível": Kim Jong-un olha para trás e está contente com a decisão que tomou

CNN , Will Ripley
25 mar, 07:49
Kim Jong-un com a filha num veículo militar (KCNA via KNS)

ANÁLISE || Há uma "firme vontade" na Coreia do Norte que só ficou reforçada depois do início da guerra no Irão

Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, afirmou que a guerra dos Estados Unidos contra o Irão prova que o seu país tomou a decisão correta ao manter as suas armas nucleares.

Num discurso à Assembleia Popular Suprema da Coreia do Norte, publicado esta terça-feira, Kim acusou Washington de "atos de terrorismo e agressão patrocinados pelo Estado", mas não mencionou o Irão nominalmente.

"A situação atual prova claramente" que a Coreia do Norte tinha justificação para rejeitar o que descreveu como pressão e "conversas amistosas" dos EUA para abandonar o seu arsenal nuclear, disse Kim, acrescentando que o estatuto nuclear da Coreia do Norte é agora "irreversível".

O presidente norte-americano, Donald Trump, já tinha afirmado que o Irão representava uma ameaça "iminente" para os EUA, meses depois de ter declarado que os EUA tinham "aniquilado" as capacidades nucleares iranianas. Trump citou a necessidade de impedir o Irão de construir uma bomba nuclear como um dos motivos para lançar ataques contra o país.

Para a liderança da Coreia do Norte, o conflito com o Irão reforça uma crença antiga de que os países sem armas nucleares estão expostos ao poderio militar dos EUA, enquanto aqueles que as possuem podem dissuadi-lo.

O momento do discurso de Kim é significativo. Trump sinalizou recentemente que está aberto a retomar as negociações com o líder norte-coreano, reativando uma via diplomática que colapsou em 2019.

As últimas declarações de Kim sugerem que qualquer encontro futuro seria muito diferente das cimeiras anteriores, que se centraram na desnuclearização. Indicou que está disposto a voltar a dialogar com Trump, mas apenas se os EUA aceitarem a Coreia do Norte como potência nuclear e abandonarem aquilo a que Pyongyang chama a sua "política hostil".

É amplamente aceite que a Coreia do Norte tenha montado dezenas de ogivas nucleares e, ao contrário do Irão ou da Venezuela, afirma possuir armas nucleares operacionais e sistemas de lançamento capazes de atingir qualquer ponto do território continental dos EUA, embora nunca tenham sido totalmente testados.

Recentemente, a Coreia do Norte exibiu uma série de testes de armas de grande impacto, incluindo lançamentos de mísseis de cruzeiro a partir de um novo navio de guerra e bombardeamentos com o que os meios de comunicação estatais descreveram como rockets com capacidade nuclear. Num discurso no Congresso do Partido dos Trabalhadores, no mês passado, Kim Jong-un prometeu expandir o arsenal nuclear do país, afirmando ser uma "firme vontade" do partido aumentar tanto o número de armas como os meios para as implantar.

Kim colocou também a sua filha adolescente, que se acredita chamar-se Kim Ju-ae, no centro destas demonstrações, sinalizando que o programa nuclear norte-coreano não é apenas permanente, mas também intergeracional.

Ao mesmo tempo, Pyongyang está a reforçar os laços com Moscovo. A televisão estatal russa exibiu imagens de tropas norte-coreanas a treinar perto da fronteira ucraniana, retratando a relação como uma forte parceria anti-EUA e enfatizando a crescente cooperação militar.

A relação tornou-se mais importante e o papel da Coreia do Norte na guerra da Rússia na Ucrânia passou a ser central na propaganda de Pyongyang. Kim concordou em fornecer projéteis de artilharia e rockets e enviou milhares de soldados para apoiar o esforço de guerra da Rússia.

Em troca, os analistas afirmam que Pyongyang recebeu alimentos, combustível e tecnologia militar potencialmente sensível, bem como dados do campo de batalha que ajudam a Coreia do Norte a melhorar o seu armamento.

Este alinhamento acrescenta mais uma camada de complexidade para Washington. Sugere que a Coreia do Norte não está a operar isoladamente, mas como parte de uma rede mais vasta de países que resistem à influência dos EUA.

Apesar do tom intransigente, Kim não fechou completamente as portas à diplomacia - no recente congresso do Partido dos Trabalhadores, Kim deixou uma pequena brecha para negociações com Washington.

Mas as suas condições são claras: as negociações com os Estados Unidos podem ser possíveis, mas abdicar das armas nucleares não.

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