Kim Jong-un recebe ministro de Putin numa altura em que a Coreia do Norte é arrastada para a guerra na Ucrânia

CNN , Will Ripley, Lex Harvey, Chris Lau, Kunal Sehgal e Lucas Lilieholm
12 jul 2025, 17:00
Lavrov visita Kim Jong-un na Coreia do Norte (AP)

O ministro russo dos Negócios Estrangeiro, Sergei Lavrov, encontrou-se este sábado com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, num sinal de aprofundamento das relações entre Moscovo e Pyongyang, numa altura em que os norte-coreanos se veem envolvidos na invasão russa da Ucrânia.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia publicou uma fotografia dos dois líderes no Telegram, na cidade norte-coreana de Wonsan, na costa oriental do país. Lavrov chegou à Coreia do Norte na sexta-feira para o início de uma visita de três dias.

Lavrov também se reuniu com o seu homólogo norte-coreano, Choe Son Hui, em Wonson, no sábado, informou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia no Telegram.

“Trocámos pontos de vista sobre a situação em torno da crise ucraniana”, disse Lavrov, citado pela agência noticiosa russa TASS, numa conferência de imprensa após a reunião. “Os nossos amigos coreanos confirmaram o seu firme apoio a todos os objetivos da operação militar especial, bem como às ações da liderança e das forças armadas russas.”

Na quarta-feira, Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, disse que Lavrov iria visitar a Coreia do Norte para conversações que faziam parte da “segunda ronda de diálogo estratégico” entre os principais diplomatas dos dois países.

A agência noticiosa estatal da Coreia do Norte, KCNA, também informou na quarta-feira que Lavrov estaria de visita “a convite” do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Pyongyang.

A viagem de Lavrov surge num momento crucial para as relações entre a Rússia e a Coreia do Norte, com Pyongyang a enviar mais 25 mil a 30 mil soldados para ajudar Moscovo a intensificar o ataque à Ucrânia, de acordo com os serviços secretos ucranianos - a juntar aos 11 mil soldados que Pyongyang enviou no ano passado.

O encontro ocorre numa altura em que os EUA estão cada vez mais frustrados com a Rússia. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou o seu homólogo russo, Vladimir Putin, de lançar “tretas” nas negociações de paz e prometeu mais apoio à Ucrânia.

A viagem poderá reforçar ainda mais uma aliança que tem o potencial de remodelar não só a guerra na Ucrânia, mas também a dinâmica de segurança na Ásia.

Choe Son Hui visitou Moscovo para a primeira ronda de conversações estratégicas em novembro de 2024, segundo a TASS. Na altura, Lavrov elogiou aquilo a que chamou “contactos muito estreitos” com os serviços militares e de informação norte-coreanos.

Tropas norte-coreanas num campo de treinos em Sergeyevka, Primorsky Krai, Rússia, a 18 de outubro de 2024 EyePress News/Reuters

Apesar de ter sofrido pesadas perdas no campo de batalha, a Coreia do Norte tem-se integrado cada vez mais na guerra da Rússia. Estima-se que cerca de 4 mil soldados norte-coreanos tenham sido mortos ou feridos na Rússia, de acordo com as autoridades ocidentais.

No terreno, na região fronteiriça russa de Kursk, onde os soldados norte-coreanos ajudaram a repelir a incursão da Ucrânia no ano passado, os soldados do Estado recluso estão alegadamente a viver em abrigos, lutando - e morrendo - ao lado das tropas russas.

Imagens de satélite obtidas pela CNN mostraram aviões de carga e navios de transporte de tropas a deslocarem-se entre a Coreia do Norte e a Rússia, o que sugere a existência de uma importante logística militar em curso.

Enfrentando escassez na linha da frente, mesmo quando as suas próprias fábricas trabalham 24 horas por dia, a Rússia tornou-se dependente da Coreia do Norte para obter armamento adicional.

Os manuais de treino da artilharia norte-coreana foram traduzidos para russo, num sinal tanto da omnipresença das armas como da crescente interoperabilidade entre as forças armadas de Moscovo e Pyongyang. No mês passado, um relatório de 11 Estados membros da ONU revelou que Pyongyang enviou pelo menos 100 mísseis balísticos e nove milhões de projéteis de artilharia para a Rússia em 2024.

A Rússia intensificou os seus ataques aéreos contra a Ucrânia nas últimas semanas, lançando um número recorde de 728 drones e 13 mísseis na quarta-feira. Na quinta-feira, drones russos atacaram a capital, Kiev, de todas as direcções, numa aparente nova tática que testou as tensas defesas ucranianas.

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