Líder da Coreia do Norte utilizou o nome do presidente dos Estados Unidos pela primeira vez desde janeiro
O líder da Coreia do Norte está disposto a avançar nas conversas com os Estados Unidos, mas há uma condição que parece, logo à partida, fazer cair quaisquer negociações.
É que Kim Jong-un quer que Washington DC pare de insistir na desnuclearização do pequeno país da península, sendo que essa é a maior exigência da Casa Branca.
Citado pela imprensa local, o líder norte-coreano reiterou que nunca vai abandonar a sua retórica nuclear, muito menos o arsenal de que dispõe, que é em grande parte incerto na sua dimensão e eficácia.
“Pessoalmente, continuo a ter boas memórias do presidente dos Estados Unidos, [Donald] Trump”, afirmou Kim Jong-un, citado pela KCNA, num discurso feito à Assembleia Popular Suprema.
Kim Jong-un parece não esquecer as três vezes que esteve com Donald Trump, mas isso não significa que a chegada do republicano à Casa Branca resulte num abrandamento da Coreia do Norte.
De resto, as palavras do líder norte-coreano surgem numa altura em que a Coreia do Sul tem um novo governo. Numa das suas primeiras ações no poder, os liberais pediram a Donald Trump que lidere uma reabertura do diálogo com Pyongyang, seis anos depois de todas as tentativas para chegar a uma paz terem colapsado.
“Se os Estados Unidos deixarem cair a obsessão absurda de nos desnuclearizarem e aceitarem a realidade, e quiserem uma coexistência pacífica, não há razão para não nos sentarmos com os Estados Unidos”, continuou Kim Jong-un, sabendo que está a pedir ao rival que abdique da sua maior pretensão.
De acordo com a especialista norte-americana Rachel Minyoung Lee, que falou à agência Reuters, esta foi a primeira vez que Kim Jong-un utilizou o nome de Donald Trump desde a tomada de posse.
No entanto, e apesar de alguma aproximação nas palavras, Kim Jong-un mantém a sua posição, já que entende que construir e manter um arsenal nuclear é a única forma de a Coreia do Norte salvaguardar a sua segurança contra as ameaças de Estados Unidos e Coreia do Sul.