Há mesmo eventos cancelados, mas os Estados Unidos garantem que não há qualquer prejuízo para os objetivos
Os exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul foram reduzidos para metade a pedido de Washington, dias depois de o presidente Donald Trump ter solicitado a sua redução, citando a sua estreita relação com o líder norte-coreano Kim Jong-un.
O exercício anual Ulchi Freedom Shield (UFS), que começou esta segunda-feira, deveria durar 10 dias, mas agora terminará já sexta-feira, 21 de agosto, disseram os militares de ambas as nações.
“Com base nas orientações do presidente e do secretário da Guerra, o Departamento reduziu substancialmente o Exercício Ulchi Freedom Shield, mantendo o treino que melhora a capacidade tática”, confirmou um responsável do Pentágono.
“Os eventos de treino com munições reais associados foram reduzidos, com alguns eventos cancelados ou convertidos em simulações. Estes ajustes preservam os objetivos essenciais de prontidão e treino”, disse o responsável. “Não haverá prejuízo para os objetivos de treino dos EUA.”
Os militares da Coreia do Sul disseram que a decisão de “ajustar parcialmente o período e o tamanho do exercício” UFS foi tomada “a pedido dos EUA”.
A nova data de término surge depois de Trump ter afirmado, no domingo, que pediu ao secretário da Defesa, Pete Hegseth, para reduzir os exercícios militares, com base na sua “óptima relação” com Kim, e alegando que enviavam um sinal “totalmente inadequado e hostil” à Coreia do Norte. Citou ainda a falta de apoio de Seul na guerra contra o Irão.
A Coreia do Sul é um aliado próximo dos Estados Unidos há mais de 70 anos, e as duas nações têm um tratado de defesa mútua, cujo principal objetivo é proteger o país da Coreia do Norte — uma potência nuclear em ascensão.
Mas a tão badalada relação pessoal de Trump com Kim Jong-un, da Coreia do Norte — que expandiu significativamente as capacidades militares do seu país desde o primeiro mandato de Trump e se acredita que possua dezenas de ogivas nucleares — pôs à prova esta parceria de longa data.
Embora Kim Jong-un não tenha comentado o pedido de Trump para que os exercícios militares sejam reduzidos, a agência de notícias estatal norte-coreana KCNA classificou os exercícios como "a ameaça mais imediata e evidente" a Pyongyang e à segurança regional num artigo publicado esta quarta-feira, antes da notícia de que os exercícios tinham sido encurtados. A Coreia do Norte há muito que critica os exercícios militares anuais da Força Aérea dos Estados Unidos.
Trump lamentou o custo dos exercícios na sua publicação no Truth Social, no domingo, e afirmou que a Coreia do Norte se tem mostrado "pouco ameaçadora e respeitadora" durante todo o seu mandato como presidente.
O presidente sul-coreano, Lee Jae-myeung, afirmou esta terça-feira que os exercícios militares conjuntos não tinham como objetivo "aumentar a tensão na península coreana", classificando-os como "um exercício defensivo" para manter a paz e proteger vidas. A Coreia do Sul "manterá um estado de prontidão inabalável", acrescentou.
Os Estados Unidos realizam frequentemente exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, que alberga a maior instalação militar americana no estrangeiro, o Campo Humphreys.
Os exercícios deste ano foram planeados para se adaptarem às capacidades em constante evolução da Coreia do Norte e incluiriam treino para combater drones, interferência no GPS e ataques cibernéticos, disse um porta-voz das Forças dos EUA na Coreia na semana passada. Pelo menos 18 mil soldados sul-coreanos participariam.
Os chefes militares de Seul disseram esta quarta-feira que a Coreia do Sul e os EUA vão agora "discutir e implementar várias medidas para atingir os objetivos do exercício UFS e estabelecer uma postura de defesa conjunta daqui para a frente".
Trump manifestou repetidamente interesse em voltar a encontrar-se com Kim Jong-un após o último encontro entre ambos em 2019, quando Trump cruzou brevemente a linha militar que divide as duas Coreias, tornando-se o primeiro presidente dos EUA em funções a pisar solo norte-coreano.
Na segunda-feira, Trump afirmou que falou recentemente com Kim, mas não deu detalhes sobre as conversas, dizendo aos jornalistas na Sala Oval: “Eu compreendo-o. Ele compreende-me”.
Trump rejeitou ainda as críticas de que estaria a dar prioridade aos interesses da Coreia do Norte em detrimento dos aliados de longa data, afirmando que a sua abordagem em relação a Kim está a tornar o mundo mais seguro.
Brad Lendon e Alayna Treene, da CNN, contribuíram para esta reportagem
