A poderosa irmã de Kim Jong-un tem uma mensagem séria para o "inimigo"

CNN , Brad Lendon e Gawon Bae
28 jul 2025, 11:16
Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un (Getty Images)

Kim Yo-jong diz mesmo que não há "qualquer interesse" em conversações

A Coreia do Sul continua a ser “inimiga” da Coreia do Norte, apesar das recentes medidas de Seul para aliviar as tensões ao longo do paralelo 38, declarou na segunda-feira a poderosa irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un nos meios de comunicação estatais.

A Coreia do Norte não tem “qualquer interesse” nas conversações com o Sul, independentemente da proposta que lhe seja feita, afirmou Kim Yo-jong num comunicado divulgado pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).

Os comentários de Kim marcam a primeira resposta oficial da Coreia do Norte desde que o novo governo sul-coreano tomou posse, a 4 de junho, após meses de turbulência política devido à declaração da lei marcial pelo antigo líder Yoon Suk-yeol, em dezembro.

Yoon afirmou que a declaração da lei marcial, que a Assembleia Nacional anulou ao fim de seis horas, era necessária para combater a influência norte-coreana entre os opositores à sua liderança no governo sul-coreano.

As aberturas conciliatórias feitas desde a eleição do presidente Lee Jae-myung não apagaram o facto de a aliança militar da Coreia do Sul com os Estados Unidos ter “manchado” a metade sul da Península Coreana, acrescentou.

A reafirmação da aliança com os Estados Unidos por parte do novo presidente sul-coreano demonstra que não há qualquer hipótese de melhorar as relações Norte-Sul, refere a declaração.

Kim afirmou que o novo governo de Lee será pouco diferente do governo de Yoon, descrevendo o que chamou de “confiança cega” na aliança de Seul com Washington.

“Não pode haver mudança na compreensão que o nosso Estado tem do inimigo, e eles não podem voltar atrás no relógio da história”, afirmou Kim na declaração de segunda-feira.

Um tanque do exército sul-coreano é deslocado numa ponte flutuante durante um exercício conjunto de travessia de rio entre os EUA e a Coreia do Sul, que faz parte do treino militar conjunto anual Freedom Shield, perto da zona desmilitarizada que separa as duas Coreias em Yeoncheon, Coreia do Sul, 20 de março de 2025. Kim Hong-Ji/Reuters

O antigo Presidente Yoon adoptou uma posição de linha dura contra Pyongyang, apoiada por fortes relações militares entre a Coreia do Sul e os EUA, que incluíram o aumento dos exercícios militares conjuntos, a visita de meios como um submarino de mísseis balísticos da Marinha dos EUA e de porta-aviões em portos sul-coreanos e a participação em exercícios militares trilaterais com o Japão - também um inimigo da Coreia do Norte - e com os EUA.

Nos seus primeiros comentários oficiais sobre as relações Norte-Sul durante a administração Lee, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul afirmou, esta segunda-feira, que Seul continuará a procurar formas de estabelecer contactos com Pyongyang.

O porta-voz do Ministério da Unificação, Koo Byoung-sam, observou que os comentários de Kim não eram especialmente hostis ou insultuosos, em comparação com as declarações anteriores sobre as relações intercoreanas.

Mas, segundo Koo, mostram que Pyongyang está a observar atentamente a política da administração Lee em relação à Coreia do Norte, enquanto “o muro de desconfiança” entre as duas Coreias é “muito elevado”.

Numa tentativa de aliviar as tensões, o governo de Lee suspendeu as emissões de propaganda em altifalantes ao longo da zona desmilitarizada e parou a distribuição de panfletos sul-coreanos lançados de balões para o Norte.

Em 2024, a Coreia do Norte abandonou uma política de longa data de procura de uma reunificação pacífica e destruiu estradas e pontes que poderiam ligar os dois países, à medida que as relações se deterioravam.

Em resposta à destruição das estradas, em outubro, as forças armadas sul-coreanas abriram fogo na zona a sul da linha de demarcação militar, anunciando que mantinham “uma postura de prontidão total em cooperação com os EUA”.

Mas o novo governo sul-coreano será menos reacionário, afirmou Koo, porta-voz do Ministério da Unificação.

“O governo esforçar-se-á constantemente por criar relações intercoreanas de reconciliação e cooperação e por realizar a coexistência da paz na península coreana sem ser sensível à reação da Coreia do Norte”, afirmou.

Ásia

Mais Ásia