Kim Yo-jong diz mesmo que não há "qualquer interesse" em conversações
A Coreia do Sul continua a ser “inimiga” da Coreia do Norte, apesar das recentes medidas de Seul para aliviar as tensões ao longo do paralelo 38, declarou na segunda-feira a poderosa irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un nos meios de comunicação estatais.
A Coreia do Norte não tem “qualquer interesse” nas conversações com o Sul, independentemente da proposta que lhe seja feita, afirmou Kim Yo-jong num comunicado divulgado pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA).
Os comentários de Kim marcam a primeira resposta oficial da Coreia do Norte desde que o novo governo sul-coreano tomou posse, a 4 de junho, após meses de turbulência política devido à declaração da lei marcial pelo antigo líder Yoon Suk-yeol, em dezembro.
Yoon afirmou que a declaração da lei marcial, que a Assembleia Nacional anulou ao fim de seis horas, era necessária para combater a influência norte-coreana entre os opositores à sua liderança no governo sul-coreano.
As aberturas conciliatórias feitas desde a eleição do presidente Lee Jae-myung não apagaram o facto de a aliança militar da Coreia do Sul com os Estados Unidos ter “manchado” a metade sul da Península Coreana, acrescentou.
A reafirmação da aliança com os Estados Unidos por parte do novo presidente sul-coreano demonstra que não há qualquer hipótese de melhorar as relações Norte-Sul, refere a declaração.
Kim afirmou que o novo governo de Lee será pouco diferente do governo de Yoon, descrevendo o que chamou de “confiança cega” na aliança de Seul com Washington.
“Não pode haver mudança na compreensão que o nosso Estado tem do inimigo, e eles não podem voltar atrás no relógio da história”, afirmou Kim na declaração de segunda-feira.
O antigo Presidente Yoon adoptou uma posição de linha dura contra Pyongyang, apoiada por fortes relações militares entre a Coreia do Sul e os EUA, que incluíram o aumento dos exercícios militares conjuntos, a visita de meios como um submarino de mísseis balísticos da Marinha dos EUA e de porta-aviões em portos sul-coreanos e a participação em exercícios militares trilaterais com o Japão - também um inimigo da Coreia do Norte - e com os EUA.
Nos seus primeiros comentários oficiais sobre as relações Norte-Sul durante a administração Lee, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul afirmou, esta segunda-feira, que Seul continuará a procurar formas de estabelecer contactos com Pyongyang.
O porta-voz do Ministério da Unificação, Koo Byoung-sam, observou que os comentários de Kim não eram especialmente hostis ou insultuosos, em comparação com as declarações anteriores sobre as relações intercoreanas.
Mas, segundo Koo, mostram que Pyongyang está a observar atentamente a política da administração Lee em relação à Coreia do Norte, enquanto “o muro de desconfiança” entre as duas Coreias é “muito elevado”.
Numa tentativa de aliviar as tensões, o governo de Lee suspendeu as emissões de propaganda em altifalantes ao longo da zona desmilitarizada e parou a distribuição de panfletos sul-coreanos lançados de balões para o Norte.
Em 2024, a Coreia do Norte abandonou uma política de longa data de procura de uma reunificação pacífica e destruiu estradas e pontes que poderiam ligar os dois países, à medida que as relações se deterioravam.
Em resposta à destruição das estradas, em outubro, as forças armadas sul-coreanas abriram fogo na zona a sul da linha de demarcação militar, anunciando que mantinham “uma postura de prontidão total em cooperação com os EUA”.
Mas o novo governo sul-coreano será menos reacionário, afirmou Koo, porta-voz do Ministério da Unificação.
“O governo esforçar-se-á constantemente por criar relações intercoreanas de reconciliação e cooperação e por realizar a coexistência da paz na península coreana sem ser sensível à reação da Coreia do Norte”, afirmou.