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A maior colónia de corais do mundo foi descoberta por uma mãe e filha

CNN , Jack Guy
22 mar, 16:00
Coral australiano

Localização exata do coral não foi divulgada para "reduzir o risco de impactos não intencionais"

Uma equipa de cientistas amadores composta por uma mãe e uma filha identificou a maior colónia de coral conhecida no mundo, descoberta na Grande Barreira de Coral, ao largo da costa da Austrália.

Estende-se por cerca de 111 metros - aproximadamente o comprimento de um campo de futebol - e cobre cerca de 3.973 metros quadrados, segundo um comunicado divulgado pela organização de conservação Citizens of the Reef.

Isto significa que está “entre as estruturas de coral mais significativas alguma vez registadas na Grande Barreira de Coral” e é “a maior colónia de coral documentada e cartografada no mundo”, de acordo com a organização.

O coral foi encontrado no final do ano passado por Sophie Kalkowski-Pope, coordenadora de operações marinhas da Citizens of the Reef, e pela sua mãe, Jan Pope, mergulhadora experiente e fotógrafa subaquática.

O coral tem aproximadamente o comprimento de um campo de futebol.

Pope tinha mergulhado no local uma semana antes e percebeu que tinha visto algo especial. Por isso, as duas regressaram com equipamento de medição.

“Quando entrámos na água, percebi imediatamente a importância do que estávamos a ver”, disse Kalkowski-Pope. As duas filmaram um vídeo enquanto nadavam ao longo da extensão do coral em forma de J.
“Demorei três minutos de vídeo apenas para nadar de um lado ao outro”, acrescentou.

O tamanho do coral Pavona clavus foi confirmado através de medições manuais subaquáticas e de imagens de alta resolução captadas a partir de plataformas à superfície da água.

Estes dados foram depois utilizados para produzir um modelo tridimensional (3D) do coral, segundo a Citizens of the Reef.

Jan Pope e a sua filha Sophie Kalkowski-Pope descobriram o enorme coral no final do ano passado.

Este tipo de modelação espacial é útil para monitorizar o local e acompanhar as suas alterações, uma vez que “permite regressar nos próximos meses e anos e fazer comparações diretas, ponto por ponto, para perceber como o coral evolui ao longo do tempo”, explicou Serena Mou, engenheira de investigação no Centro de Robótica da Universidade de Tecnologia de Queensland.

O local apresenta correntes de maré fortes e uma exposição reduzida às ondas geradas por ciclones tropicais, em comparação com muitas outras zonas da Grande Barreira de Coral. Os cientistas estão agora a investigar se estas condições podem explicar a existência de uma estrutura de coral tão grande.

Os cientistas produziram um modelo 3D do coral.

A localização exata do coral não foi divulgada para “reduzir o risco de impactos não intencionais”, informou a Citizens of the Reef.

A Grande Barreira de Coral da Austrália é a maior estrutura viva do planeta e alberga uma enorme diversidade de espécies. No entanto, nos últimos anos tem sido afetada por uma série de eventos devastadores de branqueamento em massa, que transformam as cores vibrantes de partes do recife num branco intenso.

Em todo o mundo, os corais enfrentam um destino semelhante: mais de 80% dos recifes oceânicos foram atingidos por um evento global de branqueamento em curso desde 2023, provocado por temperaturas marinhas recorde. O branqueamento pode ser fatal, pois os corais perdem as algas que vivem no seu interior e que funcionam como fonte de alimento.

A Citizens of the Reef integra esforços de conservação destinados a proteger o recife. A equipa de mãe e filha estava a examinar o recife a partir do barco da família no âmbito do Great Reef Census, uma iniciativa conjunta de recolha de imagens do recife que envolve mais de 100 embarcações.

O Great Reef Census envolve mais de 100 embarcações.

“O Great Reef Census ajuda-nos a localizar as fontes mais importantes de recuperação do recife, permitindo que cientistas e gestores direcionem melhor os esforços de proteção”, afirmou Pete Mumby, do Laboratório de Ecologia Espacial Marinha da Universidade de Queensland, citado no comunicado.

Segundo Andy Ridley, diretor-executivo da Citizens of the Reef, a iniciativa procura mobilizar o “poder das pessoas” para impulsionar a conservação.

“O Great Reef Census foi criado para complementar os programas de monitorização existentes através da recolha de dados em grande escala”, explicou.

“Isto é possível graças a pessoas que já estão no mar, como Sophie e Jan, e a milhares de cientistas amadores em todo o mundo.”

"Supera todas as expectativas"

Michael Sweet, professor de ecologia molecular na Universidade de Derby, em Inglaterra, disse à CNN que esta colónia “é maior do que qualquer coral que já tenha visto pessoalmente”.

“O que torna esta descoberta ainda mais especial é que, numa altura em que muitos corais estão a enfrentar grandes dificuldades devido a doenças, branqueamento, destruição física provocada por aterros costeiros e poluição, entidades genéticas individuais como esta colónia de Pavona superam todas as expectativas e não só sobrevivem como prosperam”, afirmou num comunicado divulgado na terça-feira.

Sweet destacou também o facto de o coral ter sido encontrado por cientistas amadores.

“Isto mostra que todos podem desempenhar um papel não só na conservação do nosso planeta, mas também na monitorização e documentação de coisas extraordinárias, como uma colónia numa escala sem precedentes.”

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