Primeiro coração de porco transplantado tinha um vírus. E isso pode ter levado à morte do humano que o recebeu

7 mai, 17:52
Transplante de coração de porco para humano (Mark Teske/Escola de Medicina da Universidade de Maryland/AP Photo)

Apesar do coração ter sido manipulado geneticamente, foram confirmados vestígios de um vírus suíno que terá acelerado a sua deterioração. Paciente morreu dois meses depois, apesar dos sinais de sucesso que correram o mundo nos primeiros dias após a cirurgia

Um erro pode ter acabado, prematuramente, com o sucesso do primeiro transplante de coração de porco para um humano: foram encontrados vestígios de um vírus suíno no órgão. Os primeiros relatos da situação foram feitos esta semana pela MIT Technology Review.

O coração de porco geneticamente modificado, que o norte-americano David Bennett Sr. recebeu aos 57 anos, terá começado a deteriorar-se devido à presença do citomegalovírus suíno, uma infeção conhecida e evitável.

Em janeiro, o paciente estava à beira da morte quando recebeu o coração, numa experiência pioneira. O sucesso da operação correu mundo, com o homem a conseguir sentar-se poucos dias depois e com o coração a bombar como “uma estrela de rock”, segundo descrevia na altura o cirurgião Bartley Griffith da Escola de Medicina da Universidade de Maryland.

Os problemas começaram depois. Numa das análises de sangue feitas, 20 dias depois do procedimento cirúrgico, foi identificada a presença do vírus, mas numa quantidade tão baixa que os investigadores julgaram tratar-se de um erro de laboratório. Quarenta dias depois da cirurgia, o estado de saúde de David Bennett Sr. deteriorou-se.

Reconhecimento da falha

O doente começou então a receber um tratamento chamado cidofovir, que costuma ser utilizado para pacientes com SIDA. Foi-lhe depois aplicada imunoglobulina por via intravenosa. Mas os médicos receiam que tal possa ter prejudicado ainda mais o seu estado de saúde, porque estes produtos continham anticorpos suínos, que poderão ter danificado ainda mais o coração.

O cirurgião Bartley Griffith já veio admitir que a presença do vírus poderá ter espoletado a morte precoce do paciente, dois meses depois da operação, apesar dos esforços de toda a equipa para controlar os efeitos do citomegalovírus suíno.

Para permitir a aceitação do coração do porco pelo corpo humano, foram feitas dez adaptações genéticas ao órgão. Os porcos foram criados de uma forma especial, para garantir que estariam livres de vírus. A empresa que os desenvolveu e criou, a Revivicor, recusou comentar a situação, quando contactada pela imprensa internacional.

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