Tiroteio em centro comercial de Copenhaga faz pelo menos três mortos. Suspeito tem 22 anos

3 jul, 18:16

Várias pessoas foram atingidas por tiros no centro comercial Field's na capital da Dinamarca. Polícia deteve um homem de 22 anos no local

Pelo menos três pessoas morreram durante um tiroteio na tarde de domingo num centro comercial de Copenhaga, na Dinamarca, avançaram as autoridades locais. No primeiro balanço, já ao final da noite, a polícia referiu que o ataque fez um número indeterminado de feridos, incluindo três em estado crítico. Entre as vítimas mortais estão um homem na casa dos 40 anos e dois jovens de idade ainda desconhecida. 

Horas antes, numa primeira conferência de imprensa, a polícia revelou que o suspeito é um dinamarquês de 22 anos, entretanto detido. Na mesma comunicação, o inspetor-chefe da polícia de Copenhaga, Soren Thomassen, afirmou que não estava excluída a hipótese de se tratar de um ataque terrorista, cenário que se coloca quase sempre que há um incidente do género. As autoridades disseram também não ter, por agora, indicação de que tenham existido outros atiradores. O suspeito, que transportava uma espingarda e munições, vai ser levado a juiz esta segunda-feira.

Nas redes sociais, circula a tese de que o ataque terá tido motivações raciais, já que aquele centro comercial era muito frequentado pela comunidade árabe. Contudo, quando questionado sobre esse cenário, num segundo encontro com a imprensa ao final da noite de domingo, o inspetor-chefe da polícia de Copenhaga respondeu apenas que "não há nada que se possa ser confirmado" quanto a motivações nesta fase da investigação.

As autoridades reforçaram a presença em vários pontos da cidade. As lojas do centro comercial Field's foram incentivadas a partilhar imagens de videovigilância. A polícia pediu ainda informações a quem tenha estado no local.

Polícia investiga vídeos publicados no Youtube

Durante a noite, a polícia de Copenhaga confirmou ao “Jyllands-Posten” de que tomou conhecimento de quatro vídeos partilhados no Youtube que, nas redes sociais, estão a ser associados ao alegado autor do ataque. Esses vídeos, que foram carregados a 1 de julho, integram agora o dossiê da investigação, explicaram as autoridades.

Nesses registos, um jovem mostra-se a posar com uma arma. Na descrição, escreve “I don’t care”, o que significa “não quero saber" numa tradução para português. Noutra das descrições lê-se que a “quetiapina não funciona”. A quetiapina é um medicamento destinado ao tratamento de distúrbios psicóticos, como esquizofrenia ou transtorno bipolar.

Ainda assim, as autoridades não confirmam nem desmentem que a pessoa nos vídeos seja o homem de 22 anos detido este domingo na sequência do tiroteio ao centro comercial.

Nas redes sociais surgiram várias imagens que mostram o suspeito com a arma nas mãos a correr no centro comercial, enquanto outras pessoas fogem dele.

Forte operação de resposta

Segundo a Reuters, o principal hospital da capital dinamarquesa, Rigshospitalet, recebeu “um pequeno grupo de pacientes” para tratamento. Segundo o porta-voz da instituição, foi chamado pessoal para reforçar o serviço, incluindo cirurgiões e enfermeiros. Ao todo, foram chamadas cerca de 500 pessoas.

Incialmente, a polícia de Copenhaga adiantou que foram destacados agentes para o local, após relatos de um tiroteio. As pessoas foram aconselhadas a manterem-se paradas dentro centro comercial, aguardando pela ajuda da polícia.

A imprensa local tem publicado imagens que mostram agentes da polícia fortemente armados no local, bem como pessoas a correr para fora do centro comercial. Um dos vídeos mais partilhado no Twitter - inclusive pelo jornalista independente, Sotiri Dimpinoudis - mostra várias pessoas em pânico a fugir.

"Incompreensível. Desolador. Sem sentido"

A autarca de Copenhaga, Sophie H. Andersen, pronunciou-se sobre o incidente, considerando a situação como "muito séria". "Ainda não sabemos ao certo quantos estão feridos ou mortos, mas é muito grave", afirmou numa publicação no Twitter.

Já ao final da noite, em comunicado, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, disse que o país foi atingido por um “cruel ataque”, mostrou solidariedade para com as famílias das vítimas e apelou à união nacional neste “momento difícil”. “Incompreensível. Desolador. Sem sentido”, descreveu.

O centro comercial Field's localiza-se a menos de um quilómetro da Royal Arena - sala de espetáculos onde Harry Styles iria atuar esta noite. Por esse motivo, deveriam encontrar-se nesta superfície comercial mais pessoas do que o habitual, incluindo jovens, como é possível confirmar numa das publicações que mostra o momento da saída. O concerto acabou por ser cancelado. Também a Casa Real seguiu no mesmo sentido, cancelando a receção do Tour de France.

No exterior, formou-se ainda uma longa fila de ambulâncias pronta para prestar auxílio às vítimas do tiroteio.

A última vez que a Dinamarca assistiu a um ataque desta natureza foi em 2015. O autor, também com 22 anos, matou um homem num debate organizado por um cartoonista de Maomé e um outro numa sinagoga no centro de Copenhaga. Foi então abatido pela polícia.

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