Mahdi perdeu a filha na confusão do tiroteio em Copenhaga. E olhou de frente o suspeito enquanto a procurava

3 jul, 22:13
Dispositivo de segurança após tiroteio em Copenhaga (Claus Bech/Ritzau Scanpix via AP)

A preocupação com a filha falava mais alto. Ainda assim, Mahdi Al-Wazni agarrou no telemóvel e começou a filmar, numa tentativa de demover o atirador. Esta é uma história com final feliz, numa tarde que acabou por ser trágica

Era um domingo parecido a tantos outros para Mahdi Al-Wazni, de 34 anos. Em família, a fazer uma refeição num dos restaurantes do Field’s, em Copenhaga, Dinamarca. Até que o pânico se instalou à sua volta, com um tiroteio no centro comercial.

“Estava na zona dos restaurantes, no andar de cima do Field’s, com a minha família, quando ouvimos pessoas a gritar e a fugir, à procura de uma saída. Pedi ao meu irmão que juntasse as crianças, para que pudéssemos ir embora”, conta à imprensa dinamarquesa.

Mas, de súbito, Mahdi percebeu que a filha de dois anos não estava ali. Foi quando foi à procura dela que se cruzou com o atirador, que as autoridades confirmaram ser um dinamarquês de 22 anos. A primeira reação foi começar a filmar, para que o suspeito – que usava roupa de caça - não disparasse. Ficaram olhos nos olhos.

“Ele riu-se e disse que não eram tiros a sério, talvez estivesse a tentar enganar-me, para que me aproximasse. Ele disparou sobre janelas, partiu-as. Penso que cinco ou seis vezes, mas não o vi a atingir ninguém”, recorda.

A polícia apareceu pouco depois, após um alerta dado por volta das 17:30. O suspeito saiu pelo próprio pé do centro comercial, sendo detido no exterior. As autoridades indicam que terá feito vários mortos e feridos, embora sem concretizar números.

Madhi havia de encontrar a filha. A menina esteve fechada numa divisão com outro membro da família durante várias horas. “Tinha medo de que algo lhe acontecesse. Não senti mais nada enquanto estive à frente dele. Tinha de encontrá-la. Depois comecei a filmar para garantir que havia de registar se ele quisesse disparar sobre mim.”

Desde 2015 que a Dinamarca não assistia a um ataque desta natureza. Na altura, o autor, também com 22 anos, matou um homem num debate organizado por um cartoonista de Maomé e um outro homem numa sinagoga no centro de Copenhaga. Ao contrário do que aconteceu este domingo, foi abatido pela polícia.

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