COP30: Zona evacuada após incêndio reabre, mas área afetada ficará isolada até ao fim da conferência

Agência Lusa , AM
21 nov, 08:33

Organização diz que continua a acompanhar "atentamente a condição de todas as pessoas que necessitaram de atendimento médico"

A zona da conferência do clima de Belém que foi evacuada e encerrada após um incêndio reabriu pelas 20:40 após o local "ser inspecionado e considerado seguro", mas a área afetada ficará isolada, anunciou a organização.

"A 'Blue Zone' foi restabelecida e voltou a funcionar às 20:40 de hoje", lê-se numa nota colocada no canal oficial de transmissão de informações da 30.ª conferência das alterações climáticas da ONU (COP30), a decorrer em Belém até sexta-feira.

Segundo o comunicado, as autoridades brasileiras restabeleceram as condições de operação no espaço da conferência, obtiveram o alvará de funcionamento dos bombeiros e devolveram a área à Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês).

A área afetada pelo incidente ficará, no entanto, isolada até a conclusão da COP30.

A organização diz que continua a acompanhar "atentamente a condição de todas as pessoas que necessitaram de atendimento médico" e permanece em coordenação com os serviços de saúde.

Agradecendo a "cooperação, paciência e compreensão de todos", a organização da COP30 recorda que há um "trabalho substancial pela frente" e mostra-se confiante de que os delegados "retornarão às negociações com espírito de solidariedade e determinação para assegurar um resultado bem-sucedido".

Negociações entram no último dia

A conferência do clima da ONU, a decorrer em Belém, Brasil, entra esta sexta-feira no último dia oficial de negociações, horas após um incêndio ter obrigado a evacuar a zona onde decorrem os trabalhos.

O fogo deflagrou pelas 14:00 na área dos pavilhões da chamada ‘Zona Azul’ administrada pela ONU e onde decorrem as negociações e estão representados os países que participam na 30.ª conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30).

Toda a zona foi evacuada e 21 pessoas tiveram de ser assistidas, 19 das quais por inalação de fumo e outras duas por crises ansiedade relacionada com a situação.

Hoje, último dia oficial da COP30, os países voltarão a sentar-se à mesa para tentar chegar a um consenso em temas que continuam controversos, nomeadamente o objetivo de abandonar progressivamente os combustíveis fósseis.

A necessidade de uma transição para o abandono dos combustíveis fósseis foi mencionada oficialmente pela primeira vez há dois anos na COP28, no Dubai, mas não ficou claro como nem quando.

Perante esta lacuna, o Presidente brasileiro, Lula da Silva, lançou na abertura da COP30 a ideia de um roteiro e um primeiro rascunho de texto apresentado na terça-feira pelo Brasil apresentava como uma das opções a serem negociadas a criação de uma "mesa redonda ministerial" para apoiar os países no desenvolvimento desses roteiros destinados a "superar gradualmente a dependência dos combustíveis fósseis".

O presidente da COP30, o diplomata André Correa do Lago, está sob pressão de cerca de 200 países reunidos em Belém desde a semana passada para elaborar um texto capaz de alcançar um consenso, de acordo com as regras da COP.

O último rascunho do texto, no entanto, não faz menção às energias fósseis.

Mais de 30 países escreveram na quinta-feira à presidência brasileira da conferência climática da ONU (COP30) a pedir que reveja a proposta de acordo final e inclua um roteiro para a eliminação gradual das energias fósseis.

"Estamos profundamente preocupados com a proposta atual, a aceitar ou a rejeitar", escrevem a Colômbia, França, Reino Unido, Alemanha, entre mais de três dezenas de países, de acordo com uma lista fornecida pela delegação colombiana à AFP.

A França e a Bélgica confirmaram a assinatura.

Um grupo de cientistas classificou como provocatórias as propostas apresentadas até agora na conferência do clima de Belém de roteiros para a eliminação dos combustíveis fósseis e para o fim da desflorestação.

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