Em vez de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa a Suíça vai pagar a países mais pobres para o fazerem por si

8 nov, 18:19
Poluição em Nova Deli (Foto: AP)

Suíça pretende financiar a redução das emissões de CO2 nos países mais pobres e contabilizar estes esforços para as suas próprias metas climáticas. Oposição acusa plano de atrasar o combate às alterações climáticas nos países mais ricos

A Suíça, um dos países mais ricos do mundo, está a considerar contabilizar uma redução para metade das suas emissões de gases com efeito de estufa até 2030. Mas para atingir este objetivo, o país, em vez de efetivamente reduzir as suas emissões, pretende financiar a redução das emissões nos países mais pobres e receber crédito por esses esforços.

O plano foi divulgado esta segunda-feira na 27ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas (COP 27), na cidade de Sharm el Sheikh, no Egito.

Segundo noticia esta segunda-feira o The New York Times, o país pretende que as nações mais pobres cortem emissões no seu lugar, sendo que tais esforços seriam contabilizados para as metas climáticas da Suíça. O plano ainda está sob avaliação embora Veronika Elgart, vice-diretora da política ambiental internacional no gabinete Federal para o Meio Ambiente da Suíça, garanta que este tipo de acordo permite combater as alterações climáticas ao mesmo tempo que beneficia os países anfitriões.

Segundo os opositores ao plano, se as restantes nações seguirem o exemplo da Suíça, isso pode atrasar o combate às alterações climáticas nos países mais ricos. Além disto, o plano suíço pode tirar partido de projetos que iriam prosseguir de qualquer maneira, com ou sem financiamento externo.

Para Crispin Gregoire, ex-embaixador da Organização das Nações Unidas na ilha de Dominica, “a Suíça está a ir para outros países – aqueles que têm emissões muito baixas – para cumprir essa obrigação” de reduzir as emissões de CO2.

No entanto, persistem dúvidas relativamente ao quão justo é este plano, e em que medida devem as nações mais ricas compensar as mais pobres pelos danos provocados com as alterações climáticas.

Apenas 23 países desenvolvidos são responsáveis por metade do total de emissões de CO2 a nível mundial dos últimos 170 anos, entre os quais os Estados Unidos, Canadá, Japão, e a maior parte da Europa Ocidental. Os restantes 50% têm origem em mais de 150 países em desenvolvimento, entre os quais a China, Rússia, Índia e Ucrânia.

No entanto, alguns países em desenvolvimento já estão quase a atingir o mesmo nível de emissões dos países mais ricos. A China é responsável por quase 14% do total de emissões com efeito de estufa provenientes de combustíveis fósseis e do setor industrial, desde 1850. Só em 2021, o país foi o maior emissor de gases com efeito de estufa no mundo, correspondendo a 31% do total de CO2 emitido com origem na produção energética e industrial.

Por outro lado, ao analisar as emissões por pessoa, só a Índia produziu cerca de 7% das emissões mundiais de CO2 em 2021, o mesmo que a União Europeia, e metade do emitido pelos Estados Unidos.

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