"Emergência climática já é a crise que nos afeta". Costa quer consumo de energias renováveis nos 80% em Portugal até 2026

8 nov, 12:16
António Costa na COP27

Primeiro-ministro levou o tema da guerra na Ucrânia para a Cimeira do Clima da ONU, no Egito, para alertar para a necessidade de um maior compromisso com as energias renováveis

O primeiro-ministro, António Costa, alertou esta terça-feira que o mundo já enfrenta uma crise climática e comprometeu-se a atingir - e até antecipar - os objetivos estabelecidos por Portugal para a transição energética, apontando que as energias renováveis vão representar 80% do consumo de eletricidade no país até 2026.

"A ciência é clara: e emergência climática já é a crise que nos afeta", começou por frisar na Cimeira do Clima da ONU (COP27), no Egito, defendendo que a guerra na Ucrânia, com a crise energética decorrente das sanções ao abastecimento de gás russo e a escalada de preços da energia, é prova do quão necessário é acelerar a transição energética e diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.

Motivo pela qual elencou Portugal como um bom exemplo da redução da dependência a nível energético, destacando que o país iniciou a aposta nas energias renováveis há cerca de 15 anos. E o objetivo é crescer:

"Temos capacidade e ambição de passar de importadores de energia fóssil a exportadores de energia verde. Hoje, as energias renováveis representam já cerca de 60% da eletricidade consumida, e o nosso objetivo é crescer para 80% até 2026", adiantou.

Durante a intervenção , o primeiro-ministro reafirmou ainda o compromisso em antecipar a meta para o país atingir a neutralidade carbónica - de 2050 para 2045 - e garantiu que as centrais a carvão (que foram todas encerradas no ano passado) não vão ser reativadas, "apesar da crise energética".

“Não podemos recuar nos nossos compromissos. Importa que saiamos de Sharm el-Sheikh com uma visão clara e que nos permita obter resultados das questões da mitigação ao financiamento, passando pela adaptação e revisão das contribuições nacionais. Este esforço tem de ser liderado pelos países desenvolvidos e pelos países grandes emissores”, acentuou.

No plano político, o primeiro-ministro insistiu que “o diálogo multilateral é fundamental para atingir os objetivos do Acordo de Paris e encontrar as respostas para fazer face aos desafios globais”.

Juntos, podemos caminhar rumo a sociedades neutras em carbono. Sociedades resilientes aos impactos das alterações climáticas. Sociedades que gerem de forma eficiente, circular e sustentável os seus recursos, sociedades movidas por energias renováveis e apoiadas num princípio de transição justa. É esta a sociedade que Portugal deseja construir”, acrescentou.

Conferência sobre incêndios florestais em Portugal

O primeiro-ministro deixou ainda "uma palavra dolorosa" sobre os incêndios florestais, "uma realidade nem sempre abordada neste fórum, mas da maior importância para a redução de emissões e para a capacidade da floresta desempenhar o seu papel no sequestro do carbono". Importa referir que 6% das emissões mundiais de CO2 resultam de incêndios de causa humana e, em anos mais extremos, pode chegar aos 20%.

"É nesse quadro que no próximo ano organizaremos em Portugal a XVIII International Wildland Fire Conference", anunciou António Costa, convidando todos os países a juntarem-se à conferência, uma vez que os incêndios florestais "são um desafio global".

No seu discurso perante o plenário da COP27, António Costa voltou a referir que o Presidente eleito do Brasil, Lula da Silva, é um fator de esperança por retomar as políticas ambientais de proteção da floresta da Amazónia.

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