Constança Cunha e Sá era "uma jornalista muito mordaz e acutilante", tinha "grande empatia"

2 dez, 13:57
Constança Cunha e Sá (TVI)

Paulo Rangel, que fez parte do programa "Prova dos 9" apresentado pela jornalista, lembra o rigor Constança Cunha e Sá, que morreu esta terça-feira

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, reagiu à morte de Constança Cunha e Sá sublinhando o “momento muito triste” para todos os que privaram com a jornalista ou acompanharam o seu trabalho, recordando ainda os anos em que participou com ela no programa "Prova dos 9", na TVI24.

“Era um programa completamente pensado por ela. Foi ali que a conheci melhor”, afirmou, recordando também os primeiros contactos nos tempos do jornal "Independente", “nos anos 80 e princípio de 90”, quando Constança  Cunha e Sá era “uma jornalista muito mordaz e acutilante”.

O ministro destacou sobretudo o rigor extremo da jornalista: “O seu critério jornalístico era irrepreensível. Todos os critérios que fazem um bom jornalista estavam ali e quem trabalhava com ela reconhecia essa exigência”.

Paulo Rangel falou ainda da inteligência e cultura fora do comum de Constança Cunha e Sá, sublinhando o conhecimento profundo que tinha das principais figuras políticas portuguesas do pós-25 de Abril.

“Ela conviveu com todos enquanto jornalista. Tinha um arquivo pessoal de memórias muito impressivas, era fortíssimo", afirmou.

Paulo Rangel fez questão de destacar um lado menos visível ao público: a humanidade.

“Talvez fosse a faceta que menos transparecia no ecrã. Apesar da ironia, da rapidez e da acutilância, era uma pessoa com uma grande empatia. Quando alguém estava mais em baixo, havia sempre uma palavra antes e depois, uma preocupação genuína.”

Rangel lembrou ainda a forma como Constança se relacionava com os colegas do painel, como Pedro Silva Pereira ou Fernando Rosas.

“Havia uma preocupação com as pessoas, com as famílias. Esse lado mais doce, essa fragilidade humana, estava numa mulher que, ao mesmo tempo, era tão forte.”

O ministro concluiu referindo que Constança Cunha e Sá, que morreu esta terça-feira aos 67 anos, “viveu com grande liberdade” e deixa um exemplo “de inteligência, rigor e humanidade”.

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