"Hoje em dia é muito difícil haver uma pessoa igual a ela": Constança Cunha e Sá 1958-2025

2 dez, 11:32
Constança Cunha e Sá (foto: Paulo Sampaio)

Jornalista e comentadora morreu esta terça-feira. Tinha 67 anos

“Foi um privilégio ter trabalhado com ela. Devo-lhe o meu caminho profissional", diz Beatriz Jalón, sub-editora de Política da CNN Portugal. "Hoje em dia é muito difícil haver uma pessoa igual à Constança."

A morte de Constança Cunha e Sá é sentida como "um duro golpe pessoal e profissional" entre quem partilhou com ela as redações da TVI e da CNN Portugal. Destacam-lhe a dimensão humana e jornalística, o "humor único, o pensamento fora da caixa e o faro jornalístico aguçado".

Constança Cunha e Sá conquistou o respeito de políticos, jornalistas e colegas. "Para as pessoas que lidaram com ela, é uma perda gigante. É um duro golpe a nível pessoal e profissional. Hoje em dia é muito difícil haver uma pessoa igual à Constança. Era uma pessoa superespecial", sublinha Beatriz Jalón.

Constança, que foi editora de Política da TVI, "incentivava sempre os jornalistas a irem mais além e a não desistirem", defendendo causas e camaradas até ao fim. “Tinha uma relação com os políticos muito engraçada. Eles viam nela uma referência no jornalismo”, recorda Beatriz Jalón.

Constança Cunha e Sá era também reconhecida pela capacidade narrativa e pela escrita incisiva, combinando reportagem, comentário e uma curiosidade permanente pelos bastidores da política. Entre as histórias que permanecem na memória estão episódios com personalidades como Mário Soares ou o caso da demissão de Pina Moura, ministro das Finanças em 2001.

"Uma das histórias que ficam na memória é a de quando o Pina Moura se demitiu. Ela tinha a carta de demissão no bolso e, quando os jornalistas confrontaram o Guterres na Assembleia da República, ele não sabia de nada e o Pina Moura disfarçou. E a Constança tinha a carta no bolso", conta Beatriz Jálon.

Constança Cunha e Sá deixa um legado de rigor, audácia e paixão pelo jornalismo, sendo considerada por muitos como uma das vozes mais influentes e respeitadas da comunicação política em Portugal. “Era uma furona. Passávamos os congressos todos com ela e ela contava histórias que nos deixavam extasiados. A riqueza dos pormenores era única.”

Formada em Filosofia pela Universidade Católica de Lisboa, Constança Cunha e Sá foi professora de Filosofia antes de ser jornalista. Começou a sua carreira de jornalista na primeira geração da revista Sábado e um ano depois integrou o jornal Independente. Foi aqui que se revelou o seu estilo jornalístico, tendo assinado uma coluna de opinião no jornal. Foi ainda diretora-adjunta e diretora do Independente.

Ainda nos jornais foi redatora-principal no Diário Económico. Depois da imprensa escrita integrou a TVI como editora de Política e mais tarde como jornalista e comentadora. Escreveu semanalmente no jornal i, com a coluna de opinião "Feira da Ladra". Anteriormente escreveu no Jornal de Negócios, Público e Correio da Manhã.

Na TVI24 moderou o programa A Prova dos 9. Saiu da TVI em 2020 e regressou à estação em 2021. Recentemente, apoiou a candidatura de António Filipe para as eleições presidenciais do próximo ano.

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