Há ainda mais razões apontadas como decisivas para a vitória portuguesa
Enquanto a comitiva portuguesa celebrava efusivamente a eleição como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a reação da delegação alemã deixava a indicar que ali se jogava algo mais do que uma vitória internacional.
Ao lado de Portugal, também a Áustria foi eleita para os anos de 2027 e 2028, com os países a poderem sentar-se à mesa os permanentes e gigantes Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.
E se já havia sinais de que a derrota da Alemanha não caiu bem em Berlim, um artigo publicado no Financial Times pela jornalista alemã Constanze Stelzenmüller deixa bem claro o que estava em causa.
A também diretora do Centro para os EUA e a Europa na Brookings Institution lembra que Portugal e Áustria lançaram a sua candidatura de forma antecipada, ao contrário da Alemanha, o que ajuda a explicar os 104 votos atribuídos a Berlim, insuficientes perante os 134 de Lisboa e os 131 de Viena.
Mas a jornalista encontra ainda duas razões particulares para o resultado, nomeadamente em relação a Portugal. “Os adversários mereceram a vitória. Portugal utiliza habilmente as suas relações com as antigas colónias em África, na Ásia e na América do Sul para ter uma influência internacional desproporcional à sua dimensão”, escreve Constanze Stelzenmüller, lembrando que o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, são ambos portugueses.
O mesmo artigo dá ainda conta do apoio de Portugal à Palestina, nomeadamente através do reconhecimento de um Estado, o que terá granjeado apoio no Sul global.
(o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, são ambos portugueses); o seu reconhecimento do Estado palestiniano contribuiu provavelmente para o apoio no Sul global. A Áustria é o gato de Schrödinger da diplomacia, apoiando discretamente Israel e a Ucrânia enquanto alega a neutralidade constitucional perante o mundo não ocidental.
Quanto à Alemanha, não terá passado das “presunções”, faltando algo mais para conseguir a eleição, mesmo tendo em conta que é o quarto maior financiador da ONU e uma das maiores economias mundiais.
