No congresso do PSD, já se "vacina" uma campanha condicionada

18 dez 2021, 16:53

Quatro tendas de testes rápidos e um centro de vacinação colocam o congresso do PSD entre a realidade da pandemia. O aumento dos números no país alimentam o burburinho. A campanha de janeiro, nas ruas, poderá ser diferente. E o partido fica prejudicado?

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Há, entre as cadeiras do Congresso do PSD e do centro de vacinação do Europarque, uma semelhança: espaço. No primeiro fim de semana a elas dedicado, as crianças à espera de serem vacinadas contra a covid-19 veem passar os rostos sociais-democratas – nem sempre conseguindo identificá-los.

Mesmo com mascotes para aliviar o stress, os mais novos continuam a preferir o telemóvel para passar o tempo do recobro. A animação, por aqui, como na reunião magna laranja, parece ser pouca. A sala nunca esteve cheia. Por vezes, nem um terço da capacidade.

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Ainda assim, em contexto de pandemia, delegados e convidados sentam-se lado a lado, sem cadeiras de intervalo. A covid-19 fica também em segundo plano na hora dos abraços e apertos de mão.

Talvez pela confiança de quem entra no recinto com um teste negativo, após a passagem pelas quatro tendas que existem no exterior do Europarque. Até ao momento, dos mais de mil testes, só um caso deu positivo: um trabalhador da produção, que não entrou na sala onde os delegados discutem a vida do partido.

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Já a máscara raramente se tira, vestida como se fosse a vontade de ganhar as eleições de 30 de janeiro.

Uma campanha diferente a caminho

As próximas legislativas não serão as primeiras eleições em contexto de pandemia. Os portugueses, munidos de máscara e álcool gel, já escolheram um Presidente da República, o governo regional dos Açores e, depois, os presidentes das câmaras e juntas de freguesia. Mas até esse dia chegar, há que pensar na campanha.

A tradição exigia proximidade com os eleitores, entre brindes e arruadas, mas com a quinta vaga a ganhar forma no país, é preciso reinventar o modelo. Nos corredores do Congresso do PSD, já se fala nisso: a pandemia pode prejudicar a campanha?

Dos militantes ouvidos pela CNN Portugal, apenas um acredita que não. “Os portugueses já conhecem, pela comunicação social, o nosso trabalho”, diz Paulo Mota Pinto, presidente da Mesa do Congresso e nome próximo de Rui Rio.

Para André Coelho Lima, deputado e Membro da Comissão Politica Nacional, a primeira semana de janeiro já estava condicionada, por causa da “contenção” decretada pelo Governo. Nesse contexto, entende que a campanha não vai escapar a regras mais apertadas, lembrando que o importante “é priorizar a responsabilidade sanitária”.

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Na mesma linha, o açoriano José Manuel Bolieiro – que ganhou eleições regionais já em contexto de pandemia – reconhece que “uma limitação de contacto direto” acaba por ser “sempre uma dificuldade para o ‘challenger’”, que é como quem diz, quem está na oposição – neste caso, Rui Rio.

A cabeça de lista por Coimbra, Mónica Quintela, recorda que quem tem de definir as orientações sanitárias para a campanha eleitoral são as autoridades de saúde: “O PSD acatará essas indicações”.

Mas se os números continuarem a subir, como se espera depois do Natal, não há outra alternativa que não seja regrar os contactos. “Se a pandemia aumentar e se se verificarem níveis que não permitam o normal convívio, claro que vai condicionar a campanha”, diz.

“Vai afetar o PSD como qualquer outro partido”, reforça Ricardo Mexia, médico especialista em saúde pública e militante laranja. Fica então o aviso: são precisos “cuidados” não só na campanha como também fora dela.

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