Nancy Pelosi prepara saída após 15 anos como líder do Congresso dos EUA

Agência Lusa , BMA
4 jan, 08:57
Nancy Pelosi (AP)

No final desta legislatura, Pelosi deve renunciar ao cargo e abrir caminho à nova geração de congressistas, que começou a chegar ao Capitólio nas eleições intercalares de 2018

Nancy Pelosi assumiu o cargo de líder democrata da Câmara de Representantes dos Estados Unidos (EUA) faz esta terça-feira 15 anos, mas prepara-se para deixar o cargo, quando o partido procura uma nova geração de congressistas.

Em 4 de janeiro de 2007, Pelosi tornou-se a primeira mulher a ocupar o lugar de presidente da Câmara de Representantes dos EUA, no segundo mandato do presidente republicano George W. Bush, mas desde 2003 que ali permanece como a primeira figura do partido, em maioria democrata (´speaker´) ou em minoria ('leader').

No final desta legislatura, contudo, Nancy Pelosi deve renunciar ao cargo e abrir caminho à nova geração de congressistas, que começou a chegar ao Capitólio nas eleições intercalares de 2018, para lidar com uma possível derrota dos democratas, que diversas sondagens antecipam para as eleições de outono deste ano, quando a totalidade dos lugares da Câmara vai a votos.

Pelosi - que fez a promessa de não se recandidatar ao cargo - deixa para trás uma carreira política preenchida com vitórias (como a aprovação do programa de saúde 'Obamacare' ou conseguir, por duas vezes, o ‘impeachment’ de Donald Trump) e derrotas (como a tentativa de colocar um fim rápido à Guerra do Iraque, de George W. Bush).

A congressista democrata, de 81 anos, chegou ao cargo de líder da Câmara de Representantes com uma agenda política progressista, próxima da linha do ex-candidato presidencial Bernie Sanders, mas rapidamente cativou a confiança da ala mais moderada do partido democrata.

Quem lhe suceder, este ano, terá a ingrata tarefa de continuar a conciliar essas diferentes fações, numa altura em que começam a radicalizar-se e tornar o diálogo interno cada vez mais difícil.

“Precisamos de uma liderança que faça a ponte entre as diferentes alas ideológicas do partido, que esteja comprometida em ouvir todas as perspetivas, mas também que tenha influência sobre o Senado”, reconhecia, numa recente entrevista radiofónica, o congressista democrata Ro Khanna.

Apesar de quase todos os democratas reconhecerem o prestígio de Pelosi - que ficou fortalecido na postura agressiva que assumiu perante o ex-Presidente republicano Donald Trump – são muitas as vozes que defendem que está na altura de substituir a “velha guarda”, de dirigentes octogenários que, para além de Nancy, inclui nomes como James Clyburn e Steny Hoyer.

Sondagens

As sondagens indicam que os democratas podem perder a cada vez mais frágil maioria na Câmara de Representantes, em parte porque os eleitores parecem descontentes com a Casa Branca de Joe Biden, mas também porque alguns congressistas revelam inegáveis sinais de desgaste, que foi apenas parcialmente compensado com a chegada de novos rostos em 2018.

Até ao final do seu mandato, Nancy Pelosi terá de ser capaz de manter alguma unidade numa bancada cada vez mais dividida sobre o tipo de apoio a manter à Casa Branca e sobre a forma de melhor negociar com os republicanos.

Hakkeem Jeffries - o congressista de Nova Iorque que está na linha da frente de uma candidatura a sucessor na liderança democrata da Câmara de Representantes – é acusado de não ter a “mão firme” que Pelosi sempre revelou, apesar de ter a vantagem de ter bons contactos junto da bancada republicana.

Mas é o octogenário Steny Hoyer quem se poderá apresentar como adversário, usando o trunfo de pertencer ao núcleo duro de Pelosi e a maior capacidade de influenciar a Casa Branca de Biden, com quem manteve uma relação próxima durante várias décadas.

E.U.A.

Mais E.U.A.

Patrocinados