Parlamento israelita aprovou em março uma lei que impõe a pena de morte aos palestinianos da Cisjordânia, declarados culpados de perpetrar ataques mortais considerados atos de terrorismo por um tribunal militar
O ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, anunciou esta terça-feira o início da construção do que denominou uma "unidade especializada" para executar os condenados à morte no centro do país, segundo um vídeo divulgado pelo próprio no seu canal do Telegram.
"Prometi promulgar uma lei de pena de morte para terroristas. Foi cumprido. Prometi estabelecer um centro. Está a ser implementado", diz Ben Gvir num vídeo em que o fundo aparece desfocado atrás de si, mas no qual é possível observar uma primeira estrutura de madeira e ferro sob uma tenda azul.
O ministro acrescenta no comunicado que a unidade contará com "cabinas de observação" que permitirão aos visados e às suas famílias "assistir aos procedimentos, como é habitual em muitos países", e diz que também lhes serão garantidas "autorizações de visita" para que supervisionem o processo até à execução.
O Parlamento israelita aprovou em março passado uma lei que impõe, por defeito, a pena de morte aos palestinianos da Cisjordânia, território ocupado por Israel, declarados culpados de perpetrar ataques mortais considerados atos de terrorismo por um tribunal militar.
Segundo a lei, que não se aplica por defeito aos cidadãos israelitas, uma vez que são julgados (incluindo os colonos) em tribunais civis e não militares, as execuções serão realizadas no prazo de 90 dias a contar da sentença.
"Prometemos e estamos a cumprir. Prometi piorar as condições dos terroristas nas prisões e cumprimos. Prometi aprovar a pena de morte para os terroristas e fizemo-lo. E agora o corredor da morte e o centro de execução também estão a começar a tomar forma", acrescenta o texto.
"Estamos a fazer história. Os nossos terroristas só merecem uma coisa: a morte por enforcamento", sentencia o político, colono e ex-condenado por crimes de terrorismo, que há alguns dias sugeriu num podcast que Israel deveria matar "30 ou 40" palestinianos por noite em Gaza.
