Fruta ou chocolate? Microplásticos. A jovem cientista que dá "gelados" a quem chega à Conferência dos Oceanos (aviso: o "Senso Comum" está esgotado)

29 jun, 14:43
Raquel Duarte

À primeira vista parece uma banca de gelados, o que, ao final de uma manhã amena de verão até vinha mesmo a calhar a quem chega ao Parque das Nações. Mas basta um olhar mais atento para perceber que esta banca está ainda mais no lugar certo à hora certa.

É lá que está Raquel Gouveia, a dar "gelados" à porta da Conferência dos Oceanos. Mas este não é um produto qualquer: é feito de "ciência fresquinha".

A jovem estudante de Ciências Biofarmacêuticas trabalha no Centro de Ciência Viva do Pavilhão do Conhecimento e, durante esta semana, recebe quem se aproxima do Altice Arena com um grande sorriso - e muito para ensinar. Usando os gelados como analogias, Raquel explica e sensibiliza para os problemas dos oceanos através da ciência e de uma forma lúdica e fácil, com o entusiasmo de quem adora o que faz.

"Adoro transmitir ciência e com esta informação explicada de forma mais interativa aprende-se muito mais. Ouvir os 'wow, não sabia isto' e os sorrisos das pessoas deixam-me também com um sorriso na cara. E ao final do dia fico super feliz", conta a jovem à CNN Portugal.

Escolhemos o gelado de cone com pepitas confetti. "É o gelado dos microplásticos", aponta Raquel que, durante cinco minutos, faz uma experiência científica:

"Sabia que os simples esfoliantes que usamos - ou até sabonetes - têm na sua composição microplásticos?", questiona, enquanto pega num esfoliante de uma marca conhecida (que podemos comprar em qualquer supermercado) e prossegue: "Eles não têm esse nome, nem diz mesmo 'microplásticos' no rótulo, mas têm nomes como 'propileno'".

"Quando tomamos banho, estes microplásticos acabam por ir parar aos esgotos, os esgotos vão parar aos oceanos e nos oceanos os peixes comem. Nós depois vamos comer os peixes e acabamos nós por ingerir os microplásticos", sensibiliza a jovem cientista.

Mas há mais: no menu de Raquel, estão ainda disponíveis os gelados "pesca", "oceano global" , "sedimentos" e "mistério". Porém, há um que aparece como esgotado: o "Senso Comum".

"Aqui, na Ciência, não existe senso comum. A Ciência é exata e nós temos sempre provas para demonstrar. Não é só dizer que parece que há microplásticos. Não. Nós mostramos que existem mesmo microplásticos", explica, enquanto aponta para um microscópio no balcão.

A demonstração de Raquel começa a ganhar mais público que, de forma atenta, assiste à explicação. "Vou demonstrar o gelado Pesca", afirma, enquanto abre a arca e retira uma caixa com vários peixes de papel. Coloca a caixa no chão e, com a ajuda de uma cana de pesca de madeira, tenta capturar alguns peixes, de forma aleatória.

"O que está a acontecer é que não se está a pescar com muito cuidado. Se a pessoa não pensar muito só pesca e pesca, mas não repara que tipo de peixe está a pescar ou se são grandes ou pequenos", aponta, prosseguindo: "Agora vamos ver se podemos levar os peixes todos que pescámos para casa. Isto porque eles têm um tamanho mínimo".

Raquel demonstra a importância da pesca sustentável

"Temos aqui uma dourada, mas o tamanho é inferior. Ainda não é adulta. Se forem muito pequenos podem ainda não ter idade para reproduzir e devem ser devolvidos ao mar".

De todo o cardápio, fica apenas por provar o gelado Mistério. Mas mesmo esse tem uma explicação: "A Ciência tem muitos mistérios, muitas coisas por descobrir", conclui Raquel.

Apesar de parecer uma experiência direcionada às crianças, Raquel revela que têm aparecido maioritariamente adultos, que se revelam surpreendidos com o que aprenderam com a jovem cientista:

"No geral ficam muito entusiasmados com as demonstrações. A dos microplásticos, por exemplo, a maior parte não sabia que estavam presentes. E ficam todos muito intrigados com o facto de não saberem estas pequenas coisas que têm um grande impacto nas nossas vidas e no Planeta".

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