Portugal "é o que é por causa dos oceanos". O apelo de Marcelo na defesa do mar e a pandemia ou a guerra que "não podem ser desculpa"

27 jun, 12:12
António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa na Conferência dos Oceanos

Num discurso centrado na ligação do país com o oceano, o presidente português considerou que esta cimeira acontece "no lugar certo, na hora certa, com a abordagem certa e com o secretário-geral das Nações Unidas certo"

O Presidente da República apelou esta segunda-feira na abertura da Conferência dos Oceanos das Nações Unidas à cooperação global e defendeu que a pandemia e a guerra não podem ser desculpa para esquecer os desafios estruturais.

Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito Presidente da Conferência - juntamente com o presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta - e, na declaração inicial, deu as boas-vindas aos chefes de Estado e de governo de todos os continentes a Portugal, "juntos mesmo com uma reunião do G7 e a cimeira da NATO".

Num discurso centrado na ligação do país com o Oceano, o Presidente da República descreveu Guterres como "um homem de princípios, de convicções, um promotor da paz, da justiça social e do desenvolvimento sustentável" e Portugal como um país que "é o que é por causa dos oceanos".

"Portugal, uma plataforma entre oceanos, continentes, culturas civilizações, no passado, no presente, no futuro. Às vezes com sucesso, outras falhando, mas sempre presente e construindo pontes, como esta coorganização frutuosa com o Quénia, outro construtor de pontes – um do norte, outro do sul", disse.

Numa intervenção feita em inglês, o Presidente da República pediu "cooperação global em prioridades comuns" e afirmou que "os regimes, os poderes institucionais, os políticos passam", enquanto "os oceanos ficam".

"Têm milhões e milhões de anos, são muito anteriores à humanidade, continuarão por milhões e milhões de anos, desde que cuidemos deles e paremos de os matar", acrescentou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, esta conferência chega "na altura certa, apesar de dois anos de adiamento forçado, de pandemia, de guerra, de crise económica e social dramática e ainda coincidindo com a reunião do G7 e com a Cimeira da NATO".

"A urgência da pandemia ou da guerra não podem ser a desculpa para esquecer os desafios estruturais duradouros e os seus efeitos na nossa vida do dia a dia", defendeu.

Conferência dos Oceanos da ONU 2022 arranca esta segunda-feira em Lisboa e junta chefes de estado e de governo de todos os continentes. São esperados mais de 7.000 participantes de mais 140 países, 38 agências especializadas e organizações internacionais, mais de mil organizações não governamentais, 410 empresas e 154 universidades

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