Patrões dizem que só 2% a 3% dos trabalhadores faltaram (e a maioria por não ter transporte), "economia real está a funcionar"

CNN Portugal , MCC
11 dez 2025, 17:26
Manifestação reúne centenas de pessoas contra o pacote laboral, em Lisboa, 11 de dezembro de 2025. (AP Photo/Armando Franca)

Em comunicado, a Confederação Empresarial de Portugal contraria a percepção pública de forte adesão à greve, defendendo que a maior parte das empresas manteve a atividade praticamente inalterada. As associações setoriais relatam impactos mínimos, atribuindo as poucas faltas sobretudo a constrangimentos externos e não à paralisação

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) afirmou esta quinta-feira que não há empresas paradas no país durante a greve geral e que o impacto nas faltas ao trabalho é "residual". De acordo com a ronda de contactos realizada junto de associações e empresas de vários setores, a ausência de trabalhadores oscila, na maioria dos casos, entre 2% e 3%, valores que a confederação atribui sobretudo a problemas nos transportes públicos e ao encerramento de escolas, refere o comunicado enviado às redações.

Declarações que vão no mesmo sentido das feitas pelo ministro da Presidência, António Leitão Amaro, que sugeriu que o setor privado não está a ser impactado por uma greve "inexpressiva". Apesar disso, a CGTP garante que mais de três milhões de trabalhadores estão a cumprir greve, apresentando um documento com várias empresas afetadas ou mesmo fechadas, como é o caso da plataforma logística da Super Bock em Matosinhos ou da Autoeuropa.

O entendimento da CIP é diferente, sendo que a confederação que representa os patrões até sugeriu outra realidade: as poucas pessoas que estão a faltar ao trabalho estão fazê-lo não porque querem, mas porque não conseguiram, nomeadamente por congestionamentos nos transportes.

Num balanço que descreve um dia de "normalidade", o presidente da CIP, Armindo Monteiro, sublinha que "a economia real está a funcionar em todo o país". O responsável critica ainda a diferença entre o que considera ser a imagem transmitida pelo "universo mediático", centrado nas adesões à greve no setor público, e aquilo que diz estar a ser vivido pelas empresas nas várias regiões.

A ronda de contactos incluiu setores como a grande distribuição, têxtil, calçado, agroindústria, indústria farmacêutica, hospitalização privada, química, extração mineira e centros comerciais, explica. No calçado, por exemplo, a adesão à greve é descrita como "marginal", inferior a 1%, excetuando duas empresas de capital estrangeiro, onde atingiu entre 40% e 50%. Já a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal reporta que "98% das empresas tiveram zero adesões à greve".

Também a indústria automóvel regista um impacto direto na ordem dos 5%, mas parte destas ausências relaciona-se com dificuldades logísticas, refere a AFIA. Na agroindústria, a FIPA fala numa adesão inferior a 2%, enquanto a distribuição alimentar estima um impacto semelhante, lembrando que muitas faltas estão ligadas aos transportes e não à greve em si.

Nos setores da saúde - hospitalização privada, indústria do medicamento e farmácias - , a CIP diz que tudo está a funcionar "normalmente e sem adesões". A APQuímica também relata um "impacto nulo ou quase nulo", com menos de 3% de empresas afetadas e sem qualquer paragem de atividade.

A grande distribuição reporta igualmente normalidade. A Mercadona fala mesmo num "zero técnico de adesão", ainda que os últimos dados da CGTP apontem para uma adesão de 50% na plataforma logística de Almeirim.

Já a Associação Portuguesa de Centros Comerciais apenas assinala o encerramento de uma Loja do Cidadão devido à greve na Função Pública. Na indústria gráfica, praticamente todas as empresas funcionaram sem adesões, com uma única exceção onde se registou 10% de paragem, lê-se no comunicado. Já o setor dos recursos minerais e o setor segurador descrevem um dia sem impacto relevante.

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