Turismo defende que TAP “não pode continuar orgulhosamente só e isolada no mercado”

Wilson Ledo , em Macau*
2 dez, 09:40
Francisco Calheiros (crédito:APAVT)

Em Macau, o patrão do turismo aproveitou para criticar a greve geral marcada para 11 de dezembro, que considera “extemporânea e desproporcionada”. O novo pacote laboral, disse, iria tornar o setor mais competitivo

O presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) defendeu esta terça-feira que a TAP “não pode continuar orgulhosamente só e isolada no mercado”, assim como a “urgência no novo aeroporto” em Lisboa.

Francisco Calheiros falava em Macau, na sessão de abertura do 50º congresso organizado pela Associação de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que reúne mais de mil participantes, tendo como lema “Olhar o Futuro”.

“A TAP, sendo importante para o país e para o turismo, não pode continuar orgulhosamente só e isolada no mercado, tendo de ser integrada num consórcio com provas dadas e que traga mais-valias à TAP e ao país”, afirmou, a propósito do processo de privatização de 49% do capital da companhia aérea.
Em Macau, Calheiros aproveitou os bons resultados do turismo em Portugal para insistir na “urgência no novo aeroporto” e de uma decisão rápida do Governo em relação a uma “alternativa intermédia” a Alcochete. “Ainda vamos muito a tempo. Já todos sabem a minha opinião: o Montijo é uma opção intermédia rápida, eficaz e mais barata”, defendeu.

O patrão do turismo argumentou ainda que, com a ferrovia de alta velocidade a ligar Lisboa-Porto e Lisboa-Madrid, seria possível “libertarmos cerca de 40 voos diários da Portela”, tirando assim pressão desta infraestrutura.

“Há decisões estratégicas que têm de ser tomadas e há que colocar em prática, com rapidez, medidas essenciais para que o turismo em Portugal continue a ser uma atividade dinâmica, com grande capacidade de gerar valor em praticamente todas as regiões do país”, concluiu.

Greve geral é “extemporânea e desproporcionada”

Na hora de defender uma maior competitividade para o setor do turismo, Francisco Calheiros considerou ser “extemporânea e desproporcionada a convocação” da greve geral convocada pela CGTP e UGT para 11 de dezembro. As centrais sindicais estão contra a aprovação do novo pacote laboral.

“A greve é um direito constitucionalmente consagrado, mas deve ser exercido com responsabilidade e proporcionalidade e apenas quando estiverem esgotadas as vias de diálogo.  Neste momento, o processo negocial está em curso, por isso, não é razoável paralisar o país sem sequer se conhecer o resultado das negociações”, argumentou.

“Para o setor do turismo, em particular, é fundamental que a lei laboral assegure simultaneamente a necessária proteção aos trabalhadores e a flexibilidade indispensável às empresas, tendo em conta a natureza sazonal e cíclica da atividade", defendeu.

*o jornalista viajou para Macau a convite da APAVT

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