Tribunal de Beja condena nove pessoas por tráfico de imigrantes no Alentejo

Agência Lusa , SM
15 jan, 17:10
Imigrantes nos EUA (CNN)

A 25 de novembro, a Polícia Judiciária deteve 17 pessoas, incluindo 10 militares da GNR e um agente da PSP, por suspeitas de exploração de imigrantes no Alentejo

O Tribunal de Beja condenou esta quinta-feira nove pessoas, sete delas a prisão efetiva, com penas entre os três e os nove anos e meio, e absolveu outras três pessoas num processo por exploração de imigrantes no Alentejo.

Na sessão de leitura do acórdão, que decorreu à tarde no Tribunal de Beja, a presidente do coletivo de juízes que julgou o caso, a juíza Ana Batista, indicou que a pena de prisão efetiva mais alta, em cúmulo jurídico, de nove anos e meio, foi aplicada ao arguido que teve “papel central” neste esquema.

O homem, de nacionalidade romena, foi condenado por um crime de auxílio à imigração ilegal, um crime de tráfico de pessoas, outro de branqueamento de capitais e um de detenção de arma proibida.

Os outros seis arguidos com penas de prisão foram condenados, na generalidade, pela prática de crimes idênticos (embora alguns não tenham respondido pelos de detenção de arma proibida ou branqueamento de capitais).

Condenadas, mas com penas suspensas, ficaram uma peruana, pela prática do crime de auxílio à imigração ilegal e uma moldava, por detenção de arma proibida, cada uma a dois anos de prisão, suspensas na execução por igual período.

Recorde-se que a 25 de novembro do ano passado, a CNN Portugal noticiou que 10 militares da GNR e um agente da PSP foram detidos e alvo de buscas em casa e nos postos de trabalho, assim como seis civis que foram alvo da mesma operação da Polícia Judiciária.

Em causa, uma série de crimes violentos relacionados com a exploração e o escravizar pela força, através de um clima de terror a que sujeitavam as comunidades de migrantes indostânicos que trabalhavam em propriedades agrícolas da zona de Beja. 

Soube-se, entretanto, que a organização criminosa desmantelada na operação “Safra Justa” controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo, mas nem todos são considerados vítimas de tráfico, segundo fonte policial. 

Os alegados crimes sob investigação vêm desde 2023 até à atualidade e, na sequência da operação policial desenvolvida na terça-feira, estão a ser inquiridas vítimas para memória futura nas instalações da Base Aérea n.º 11 de Beja (BA11), indicou a mesma fonte. 

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