O confronto com o passado de colonização e exploração indígena: esta é a Foto do Ano eleita pelo World Press Photo

7 abr, 11:06

A imagem de Amber Bracken capta uma homenagem às crianças indígenas que morreram na Escola Residencial de Kamloops, no Canadá. Este ano, o concurso já não tem categorias temáticas mas, em vez disso, tem vencedores regionais. Percorra a galeria em cima e veja as várias imagens vencedoras

Vestidos pendurados em cruzes ao longo de uma estrada recordam as crianças que morreram na Escola Residencial para indígenas de Kamloops, uma instituição criada para acolher crianças indígenas, após a descoberta de 215 sepulturas sem identificação nesta escola da British Columbia, no Canadá. Captada por Amber Bracken, fotógrafa canadiana que trabalha como freelancer, e publicada no The New York Times, esta é a Foto do Ano do concurso World Press Photo 2022.

Esta imagem "representa o despertar para uma história vergonhosa que finalmente está a ser abordada no Canadá", explica o júri na sua declaração. "É uma imagem perfeita, que capta uma luz rara, e é ao mesmo tempo assustadora, cativante e simbólica", diz o júri, sublinhando que se trata de uma prova do "reconhecimento do legado de colonização e exploração" e, simultaneamente, dá voz àqueles que exigem justiça.

Os vencedores do concurso World Press Photo, relativo ao ano de 2021, foram anunciados esta quinta-feira. Este ano, o concurso teve várias novidades. O desequilíbrio na representação dos participantes levou a organização do concurso a alterar algumas das regras. Em 2021, apenas 7% dos participantes eram da América do Sul, 5% do Sudeste Asiático e Oceania e 3% de África. "Isso não representa de forma alguma todo o incrível talento do fotojornalismo em todo o mundo", explicam os organizadores em comunicado.

Assim, nesta edição, em vez das habituais categorias temáticas, o concurso dividiu-se em seis competições regionais: África, Ásia, Europa, América Central e do Norte, América do Sul, Sudeste Asiático e Oceania. A divisão faz-se não pela nacionalidade dos autores, mas pelo local onde a fotografia foi captada. "Ter seis regiões permite-nos apresentar uma diversidade maior de histórias e, portanto, dá oportunidade a uma representação mais global de participantes e vencedores", espera Anna Lena Mehr, diretora do concurso.

Estabelecidas as categorias regionais, decidiu-se eliminar as categorias temáticas. Assim, no concurso geral e nas seis regiões, são atribuídos prémios em quatro categorias:

  • Foto do Ano: uma só imagem;
  • História do Ano: uma história composta por três a dez imagens;
  • Projetos de Longo Prazo: projetos sobre um único tema, com 24-30 fotografias;
  • Formato Aberto: uma nova categoria que integra uma diversidade  e/ou mistura de meios para contar histórias em que o principal conteúdo visual é a fotografia (colagens, animações, vídeos, etc.).

Ganhou-se em diversidade regional, perdeu-se em diversidade temática. Entre os vencedores, não encontramos as habituais fotografias de natureza, de desporto, ou de eventos artísticos.

Este ano, os vencedores foram escolhidos entre 64.823 fotografias, assinadas por 4.066 fotógrafos, de 130 países. Os júris regionais fizeram uma primeira seleção das inscrições por categoria nas suas regiões; depois, o júri global decidiu os vencedores regionais e, a partir deles, os vencedores globais.

Além da Foto do Ano, que foi também a vencedora da região da América Central e do Norte, os vencedores globais foram:

História do Ano: "Salvar Florestas com Fogo", série de Matthew Abbott, captada junto do povo Nawarddeken, na Austrália, que pratica queimadas controladas há dezenas de milhares de anos. As imagens foram publicadas na National Geographic. Esta foi a história vencedora na região do Sudeste Asiático e Oceania.

Prémio Para Projeto de Longo Prazo: "Distopia Amazónica", projeto desenvolvido pelo fotógrafo brasileiro Lalo de Almeida sobre a exploração da floresta da Amazónia e o seu impacto nas comunidades indígenas. Este foi o projeto vencedor na América do Sul.

Prémio Para Formato Aberto: "O Sangue é uma Semente", de Isadora Romero. Trata-se de um vídeo composto por fotografias, algumas das quais foram tiradas em filme 35mm e posteriormente desenhadas pelo pai de Romero, que questiona o desaparecimento de sementes, a migração forçada, a colonização e a consequente perda de conhecimento ancestral no Equador. Este foi o projeto de Formato Aberto vencedor na América do Sul.

Cada vencedor regional recebe um prémio de mil euros. Os vencedores globais receberão um prémio adicional no valor de 5 mil euros. Além disso, terão as suas fotografias no anuário e na exposição do World Press Photo 2022, que estará patente a partir do próximo dia 15 no De Nieuwe Kerk em Amesterdão, nos Países Baixos, e será depois apresentada em digressão internacional.

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