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“OK, è nero, andiamo. Torneremo domani”. Romanos cumprem tradição de ver o fumo, mesmo atrasado duas horas

Agência Lusa , DCT
7 mai 2025, 20:47
Fumo negro no Vaticano
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Foram muitos os fiéis, romanos e não só, que estiveram no Vaticano para assistir (e filmar) o momento em que saiu fumo negro da chaminé da Capela Sistina

 A Praça de São Pedro encheu-se hoje de crentes e não crentes para saber o resultado da primeira votação dos cardeais, com muitos romanos a suportarem o atraso de duas horas à espera do nome do seu bispo.

Quanto, pelas 21 horas locais (20:00 Lisboa), saiu o fumo negro da Capela Sistina, os ecrãs que transmitiam para a Praça de São Pedro falharam e ouviu-se um padre filipino a gritar: “foram os russos que bloquearam o sinal”.

Mas quase ninguém se riu porque já era visível o cansaço de muitos, à espera há várias horas do resultado da primeira votação do Colégio Cardinalício para escolher o sucessor de Francisco.

Ali ao lado, perto da estátua dos imigrantes, estava Tomásio e Rosália, dois jovens de 24 anos que, apesar de não acreditarem, insistiram em cumprir a tradição de vir “ver o fumo à Praça”.

“Os meus pais estão também ali mais perto do altar, mas eles rezam. Eu não”, afirmou Rosália, que promete vir todos os dias à Praça ver o resultado das votações.

E porquê, se não é católica? “Por curiosidade”, responde por três vezes, sem conseguir justificar mais.

“Não sei porquê, mas interessa-me saber quem será o novo Papa”, porque “o antigo [Francisco] era um homem do povo e isso é importante”, explicou.

Foram muitos os fiéis, romanos e não só, que estiveram no Vaticano para assistir (e filmar) o momento em que saiu fumo negro da chaminé da Capela Sistina (Associated Press)

Ao seu lado, Tomásio era também a face do cansaço, pelas duas horas de espera. “Eu queria ir embora, mas ela é que insistiu. Ela e eles”, disse, apontando para o grupo de raparigas e rapazes romanos que se juntaram para ver a votação.

A poucos metros, Sérgio Diniz é imigrante brasileiro e quis vir hoje ver o resultado. “Sempre que puder vir, venho. Vivo perto e é importante saber quem manda aqui”, disse, apontando para a Basílica de São Pedro.

Evangélico “pouco praticante”, Sérgio Diniz olha para o catolicismo com simpatia. “A Igreja é importante, porque ela foi nossa mãe, mas depois nós seguimos o nosso caminho. Somos todos cristãos”, explicou.

A espera de duas horas permitiu muitas conversas entre os peregrinos. Maria e a companheira são italianas e vieram assistir ao fumo da chaminé da Capela Sistina.

“Deveria sair de várias cores”, disse, numa alusão ao movimento LGBT.

Ao lado, uma freira italiana comentava que já tinha rezado um rosário de três terços e que tinha de recomeçar porque o fumo demorava muito.

Pelo meio, Tomasio insistia em deixar a Praça, mas Rosália queria ficar, fosse por curiosidade, fosse por se sentir mais próxima de Roma.

“Depois vamos a Trastevere [uma tradicional zona de vida noturna de Roma], mas agora ficamos aqui”, disse.

Antes do resultado final, muitos aplaudiam como que quisessem acelerar a divulgação da decisão.

“É um empurrão”, explicou um padre norte-americano que estava num grupo de seminaristas alemães.

No final, apesar da tensão dos ecrãs desligados, o fumo negro acabou por nem desiludir muito, até porque muitos, como Tomásio, só queriam que a espera acabasse.

“’OK, è nero, andiamo. Torneremo domani’” [Pronto, é negro, vamo-nos. Voltamos amanhã], respondeu Rosália aos amigos.

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