“Se Marcelo me pedir para cantar, sou capaz de lá ir. Naturalmente, tem de me pagar”. Nove perguntas a Simone de Oliveira

30 mar, 08:15
Simone de Oliveira em concerto de despedida

Após o concerto que marcou o fim da carreira, Simone de Oliveira recebeu o abraço de amigos e família. Estiveram todos juntos. Mas ela sabe que o dia seguinte será diferente, entregue a uma “saudade lavada”. Este é o balanço de um momento marcante, em nove respostas aos jornalistas que estiveram lá a vê-la despedir-se do palco e com uma pequena brincadeira dirigida ao Presidente

Como resume este concerto?

Vida e liberdade.

É o último momento da carreira. Os sonhos que sonhou, onde ficam?

Estão dentro de mim. E nas vossas mãos.

Disse que estava um bocadinho nervosa antes deste concerto. Como é que correu?

Não estava muito nervosa. Acho que tive a consciência de dizer “eu tenho de fazer isto bem, correto, porque esta gente merece”. Não quer dizer que não tive medos, claro que sim. Só de pensar que amanhã me posso levantar ao meio-dia e que não tenho de pensar em pinturas, em pestanas, em fatos, é uma maravilha.

O Presidente da República disse que poderá convidá-la a cantar novamente. Poderá aceitar esse desafio?

Se o Presidente da República me pedir para cantar para ele, canto. Agora, eu acabei o meu percurso hoje. Ao fim de 65 anos, chega. Quero ter tempo para estar em casa, a ver Fox Crime, que eu adoro.

Consegue descrever o que se sente num momento como este, com uma sala que chamou várias vezes o seu nome?

Eu sei que devo isto aos poetas, aos músicos. Naturalmente, a algum trabalho que tive, a algumas gargalhadas e a algumas lágrimas que chorei. Mas, sobretudo, devo-vos a vocês. Devo ao povo deste país, à gente deste país, às pessoas mais simples e menos simples, aos jornalistas, aos fotógrafos, aos técnicos, aos que me puseram e tiraram o microfone. Eu não sou chata, as pessoas dizem que eu sou chata mas não sou. Gosto de fumar um cigarrinho, é verdade. O meu whiskyzinho, de vez em quando também gosto – estava lá [no palco], mas eu não tive coragem.

Quando pensou em convidar esses seus amigos para participar neste concerto, o passado, o presente e o futuro, aconteceu tudo ali no palco?

Aconteceu, aconteceu. Convidei quem quis. Tenho recordações maravilhosas das pessoas que estiveram ali. A amizade e entrega no musical “Simone” foi extraordinária. Adoro-os como pessoas e como cantores. E acho que este país tem cantores novos extraordinários. Não perco um “The Voice Portugal”. Estou ali para dar palmas.

Há dias, dizia que não seria fácil segurar a emoção. Em algum momento esteve ali a vacilar?

No fim, estive. Quando o Coliseu se levantou, estive. Estava muito centrada, de que não podia chorar, não podia ir abaixo, tinha de estar bem. Isto tinha de ser um momento feliz.

O Presidente da República disse que era impossível deixar a Simone despedir-se de nós. Quer comentar?

Se ele pedir para cantar no Palácio [de Belém], sou capaz de lá ir. Naturalmente, tem de me pagar, que borlas não faço [risos].

Vai viver bem sem palmas?

Vou, meu amor. Repare uma coisa: este confinamento meteu-me em casa e eu habituei-me a viver sozinha sem o meu marido. Não é uma coisa que me faça impressão. Far-me-ia mais impressão se não pudesse ver os meus filhos ou os meus netos. E há muito tempo que não tinha todos, porque a minha filha não vive em Portugal, nem o filho dela. Hoje tive cá todos. É um momento muito feliz para mim. Claro que vou ter muitas saudades quando se forem embora, mas eu aprendi a viver com saudades. É preciso aprender a ter uma saudade lavada. E não aquela saudade do “oh, eu não tinha rugas e agora tenho”. Estou muito habituada à minha solidão, acompanhada por meia dúzia de amigos extraordinários.

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