Os números da União Europeia mostram que todos os dias cerca de 12 milhões de encomedas de baixo valor chegam à Europa, totalizando 4,6 mil milhões de remessas abaixo de 150 euros em 2024 - o dobro de 2023 e três vezes mais que 2022
O comissário europeu da Justiça, Michael McGrath, está preocupado com a toxicidade e os perigos de alguns produtos vendidos pela Shein e pela Temu e promete combater a venda de produtos que violam flagrantemente a lei. De acordo com o The Guardian, McGrath aguarda os resultados iminentes de uma operação que visa testar se os retalhistas chineses estão a contornar a legislação comunitária.
Entre os piores exemplos relatados pelos eurodeputados num relatório divulgado este mês encontram-se chupetas para bebés com contas que se soltam facilmente e que representam um risco de asfixia porque não têm o orifício de tamanho regulamentar para permitir que um bebé que engula uma acidentalmente continue a respirar. Foram encontrados também gabardinas infantis com produtos químicos tóxicos, óculos de sol sem filtro UV e calções infantis com cordões mais compridos do que o comprimento regulamentar que causam perigo de tropeçar.
Também foram encontrados cosméticos que contêm butilfenil metilpropional, também conhecido como Lillal, que está listado como um produto químico de “grande preocupação” pela UE e foi proibido desde 2022 devido a preocupações de que afete a fertilidade e o desenvolvimento fetal. No ano passado, o governo do Reino Unido disse aos consumidores para se desfazerem de todos os produtos que contenham o ingrediente.
“Estou chocado com esta situação e penso que temos o dever de proteger os consumidores europeus”, afirmou McGrath ao Guardian.
Em reação a estas declarações, a Temu enviou à CNN Portugal uma declaração na qual a empresa garante que "leva muito a sério a segurança e a conformidade dos produtos". "Temos um sistema de verificação de vendedores, monitorização proativa e remoção rápida para prevenir, detetar e retirar produtos inseguros. Trabalhamos em estreita colaboração com organizações de teste e certificação reconhecidas internacionalmente – incluindo TÜV SÜD, Eurofins, SGS e Bureau Veritas – para ajudar a garantir que os produtos disponibilizados por vendedores terceiros cumprem as normas de segurança e qualidade", assegura a Temu.
Além das preocupações com a segurança, McGrath também teme que as plataformas que se tornaram muito populares nos últimos anos estejam a prejudicar as empresas locais através de uma concorrência desleal.
Os números da União Europeia mostram que todos os dias cerca de 12 milhões de encomedas de baixo valor chegam à Europa, totalizando 4,6 mil milhões de remessas baixo de 150 euros em 2024 - o dobro de 2023 e três vezes mais que 2022.
“O crescimento é extraordinário e tem colocado uma enorme pressão sobre os sistemas a nível dos Estados-Membros”, afirmou. "Estou determinado a intensificar a aplicação das nossas leis de segurança dos produtos e das nossas regras de proteção dos consumidores. Não se trata apenas de proteger os consumidores, mas há aqui uma questão muito séria de igualdade de condições para as empresas europeias, porque se espera que concorram com vendedores que não estão a cumprir as nossas regras", disse.
Entre as medidas que a UE está a considerar está a abolição do limiar de 150 euros de isenção de direitos e a introdução de uma taxa de manuseamento para cada pacote, que pode dissuadir as compras de baixo valor e ajudar a pagar o custo de investigações aduaneiras adicionais.
McGrath afirmou que “ainda não se sabe” se o assunto será abordado na cimeira UE-China, que se realizará em Pequim a 25 de julho, mas o comissário garante que é preciso intervir. “A questão será certamente abordada diretamente com as autoridades chinesas e iremos visitá-las ainda este ano”, afirmou.