O treinador que nunca perdeu tem duas ressacas para curar

11 jul 2025, 10:00
Rui Borges no arranque da pré-época do Sporting, com particular frente à equipa B (Sporting)
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Arranca a nova época para o Sporting com muitas dúvidas. Rui Borges é o homem, mas qual é a ideia?

Jogar sete Clássicos e não perder nenhum nos 90 minutos é obra. Uma obra que não é anónima, mas cujo nome apareceu meio que aos pontapés. Chama-se Rui Borges, o homem que ninguém - nem o próprio - imaginaria terminar a época passada como campeão.

Mas terminou e isso dá-lhe uma alavanca especial, mesmo que ainda existam dúvidas substanciais sobre o seu real impacto, sobretudo em relação às suas ideias, já que não foi com o seu pensamento inicial que foi campeão.

Tentou à sua maneira, mas foi com o jeito de Ruben Amorim que a coisa foi lá, depois de o Sporting ter tremido em vários jogos no pós-João Pereira.

E essa é a primeira dúvida com Rui Borges, que arranca esta sexta-feira a preparação da nova época no Sporting. A quebra física foi provocada porque o treinador adotou métodos errados, ou porque os jogadores vinham impreparados do treinador anterior?

A segunda dúvida é, desde logo, se há um regresso à experiência inicial e à defesa a quatro. Ao princípio ninguém beneficiou propriamente e Rui Borges teve de fazer marcha-atrás para ganhar o campeonato com uma ideia que não era totalmente sua.

Amorim, a verdadeira ressaca

É por isso que nesta época de 2025/26 vamos ver a verdadeira ressaca de Ruben Amorim. João Pereira descarrilou um dos melhores comboios que por aqui se viu, mas Rui Borges conseguiu voltar a metê-lo nos carris, ainda que tenha transformado um Alfa Pendular num Intercidades que chega muitas vezes atrasado e cujo bar já nem água tem.

Vai Rui Borges voltar a dar espaço ao seu sistema, ou vai manter aquilo que os jogadores e até o plantel estão preparados para fazer?

O mais normal é que mude e passe a uma defesa a quatro, mas isso implica mudanças, nomeadamente nas laterais. O Sporting precisará sempre de alguém para o lado direito, mas isso torna-se mais óbvio se for desfeita a linha de cinco.

Se a mantiver, Geny Catamo e Geovany Quenda podem perfeitamente revezar-se e ainda há Iván Fresneda. Se não, só este último pode ser opção, não ficando claro se está à altura do desafio.

Rui Borges pode sempre inventar uma terceira solução e fazer o que Guardiola tentou fazer e Luis Enrique também faz a espaços: colocar um lateral na ala e apostar na assimetria. Nesse cenário é Eduardo Quaresma quem aparece de forma óbvia, mesmo que não seja um Gvardiol ou muito menos um Nuno Mendes.

Para a frente, é sobretudo preciso perceber, numa mudança de esquema, quem poderá ser a espécie de número 10. Pedro Gonçalves é o candidato óbvio, até porque é um bom jogador e os bons jogadores jogam bem em todo o lado. Além disso, está mais do que habituado a jogar ali. Só terá de mudar a mentalidade para perceber que em algumas fases do jogo terá de ser mais um terceiro médio do que um segundo avançado.

O treinador que não sabe perder

Agora não se renova o comboio, antes se compra um novo e apresenta-se com uma cara fresca. A cara de um treinador que, jogando melhor ou pior, não perdeu um único jogo

Gyökeres, a outra ressaca

Não há assim grandes dúvidas. Viktor Gyökeres vai sair do Sporting e a corda até pode partir de forma complicada, quebrando uma relação que foi tão proveitosa para ambas as partes.

Pode ser a ressaca mais complicada de todas, já que o Sporting de Rui Borges foi, em grande parte, uma dependência de Viktor Gyökeres. E até quando o sueco andava a meio gás foi crucial, mas não chegou para tudo: marcou nos empates com Arouca e AVS, mas o resto da equipa já tinha rebentado e não conseguia mais.

Urge, portanto, encontrar um novo avançado. Não é um novo Gyökeres, que isso não há nem que se pague um camião de dinheiro. É um avançado que sirva a ideia de Rui Borges, seja ela qual for na próxima época.

Conrad Harder pode ser esse jogador claro, já que é loiro e nórdico, mas falta-lhe o lado máquina. Falta-lhe ser tão frio que o sangue não escorre. Não está aparentemente preparado para ser esse jogador, que até pode já estar encontrado noutro lado.

É Luis Suárez. Não o senhor que em tempos era selvagem, mas o potente avançado do Almería que mimetiza o não menos potente Darwin Núñez. É caro, mas pode ser o jogador que encaixa numa equipa que vai ficar orfã.

Vem aí Guronsan

Ainda não é certo que Luis Suárez seja parte da receita, mas Giorgi Kochorashvili já chegou a Alvalade - dizem que é para fazer de Morita, o médio que em tempos Rui Borges, ainda no Moreirense, disse ser o melhor jogador do Sporting.

Mas e que mais? O guarda-redes está resolvido. Rui Silva não é nenhum prodígio e fica uns largos passos atrás de Trubin ou de Diogo Costa, mas para a Liga portuguesa, como de resto se viu, serve perfeitamente.

No eixo da defesa o problema até pode ser de jogadores a mais. Mesmo que Diomande saia, o Sporting fica com pelo menos quatro centrais com qualidade para serem titulares, sendo que dois deles podem ocupar outras zonas. Falamos de Eduardo Quaresma e de Zeno Debast, que podem ser lateral direito e médio, respetivamente. St. Juste e Gonçalo Inácio juntam-se a eles, completando um quarteto muito forte que ainda pode contar, por exemplo, com Matheus Reis.

À direita já se falou e pode ser preciso resolver. À esquerda está resolvido e Maxi Araújo parece ter capacidade para jogar numa linha de quatro.

Andando para a frente, é crucial ao Sporting manter Hjulmand. Muitos dirão que é mais importante do que Gyökeres, e isso foi evidente em várias fases da última época. Falta o avançado e, se os restantes ficarem, a coisa pode ficar por aí.

Também chegou Alisson Santos, mas ainda não é claro qual o real impacto que o brasileiro que vem diretamente da Segunda liga pode ter.

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